quinta-feira, 29 de abril de 2021

Xuper Star - 30 anos

Talvez, há exatamente 30 anos, você tenha feito parte da turma que esperou ansiosamente a “novela das 8” acabar para conferir a estreia de Xuxa... E se você não é dessa geração ou sua memória não é das melhores, saiba que é isso mesmo: Xuxa de noite, no mês de abril, estreando em 1991.

Esse era o mais novo desafio da carreira da loira: um programa humorístico inteiro para ela, uma criação de Chico Anysio, que desde 1988 queria ver seu projeto sair do papel e dar à nossa “super estrela” um novo horizonte. Já pode preparar seu “banho de espuma” para ler a história de Xuper Star.




🤩 Chico Anysio “Xou”
Na temporada de 88 do Chico Anysio Show, a atração tinha a presença de um convidado semanal para “movimentar” o programa, que enfrentava alguns problemas de audiência frente aos filmes do SBT. Xuxa foi a segunda artista convidada e o programa com sua participação foi ao ar originalmente em 24/08/1988.

Chico preparou três personagens para a estreia de Xuxa num texto seu: a vovó do ano 3000, a mulher artificial e a trombadinha Escada Rolante (que depois virou o personagem Moleque)


Satisfeito com o desempenho da loira, Chico a trouxe para outro projeto no mesmo ano: Xuxa interpretou a professora Lindona no especial Grupo Escolacho, parceria de Miguel Falabella, Léo Jaime e Chico Anysio, exibido em 22/12/1988.

A professora Lindona: cogitou-se que ela se tornasse uma personagem fixa no programa de Chico no ano de 1989

Em 1989, Chico ainda pensava em algo maior e queria algo exclusivo para ela. As participações foram bem aceitas pela direção e Boni, na época vice-presidente de operações da Rede Globo, queria que Xuxa passasse a integrar o elenco fixo do Chico Anysio Show na temporada de 1990. Chico, por sua vez, preferia criar um seriado que misturasse o universo de Xuxa ao do vampiro Bento Carneiro e a história aconteceria em pequenos capítulos dentro do Xou da Xuxa.


Mas em dezembro de 1989, Xuxa encerrou o assunto: “Adorei fazer o programa dele, mas acho que não vai dar para trabalharmos juntos em 90 por falta de tempo(Folha de São Paulo, 10/12/1989). E vocês já sabem que era a mais pura verdade: carreira internacional a mil, filmes, programa diário...

 

🗓️Terça Nobre
Para o ano de 1991, a TV Globo reservou novidades para a “Terça Nobre”. Revezariam às terças-feiras as atrações: Caso Especial (dramaturgia) na primeira terça de cada mês; o Programa Legal (de Regina Casé e Luís Fernando Guimarães) na terça seguinte; Doris Para Maiores (com Dóris Giesse) na próxima e, sempre na última terça-feira de cada mês, o Xuper Star.


A nova programação das terças-feiras na TV Globo em 1991


Mas o que poderia ter acontecido para que Xuxa mudasse de ideia? Afinal, sua carreira continuava tão atribulada como antes (ou até mais, pois ela estava prestes a estrear um programa diário na Argentina).




Com tudo esclarecido, vamos ao primeiro “Xuper Star”...

 

⭐ Prazer, Xuxa... mas pode me chamar de Shirley, Cotinha, Livita, Rosicleide...
Martelo batido, estreia marcada, roteiro aprovado e muito trabalho pela frente. Era hora de começar a dar vida às personagens de Xuxa. Só no primeiro programa eram QUATRO. Sim, Xuxa era a única mulher no elenco fixo.

A principal, Shirley Liz, é uma apresentadora de programas de auditório, tida como referência em entrevistar convidados na TV. Qualquer semelhança com Hebe e seu jeito meio “perua” com joias e vestidos não é mera coincidência, é homenagem mesmo. “É uma Hebe Camargo da TV Globo”, nas palavras do próprio Chico (O Globo, 15/04/1991).

Shirley Liz, a estrela de Xuper Star: como "uma Hebe da TV Globo"


Na casa de Shirley moram as outras personagens vividas por Xuxa:

Rosicleide Sueli, a empregada que se intromete em todos os assuntos e acaba, meio sem querer, dando ideias para o programa da patroa; Lívia Peron (ou Livita, para os íntimos), amiga, confidente, massagista e guru espiritual da apresentadora, que, com seu jeito dramático e místico, faz previsões de um jeito bem peculiar. E, finalizando, a avó de Shirley, Dona Cotinha, que, apesar da aparência, é mais moderna e liberal que qualquer jovem da época.

As outras personagens de Xuxa faziam parte da vida de Shirley: a massagista e vidente, a empregada e a avó

 

💫 O elenco
Somente mais dois nomes completam o elenco: o diretor Jorge Fernando e o ator Guilherme Karan. Jorge repete em cena sua função na vida real, dirigir a estrela. A propósito, esse foi seu primeiro trabalho com Xuxa.




Seu personagem se chama Paraci Ubiratan Filho, a quem Shirley chama de PUF. E aí já surgem duas referências criadas por Chico: o nome do personagem brinca com o nome de então diretores da TV Globo:  Paulo Ubiratan e Daniel Filho. Mas quando Shirley justifica “eu te chamo de Puf porque você tem cara de Puf e barriga de Puf”, ela não estava apenas juntando as iniciais do nome, e sim, falando do Ursinho Puff da Disney. É, até meados dos anos 90 era assim que ele era chamado aqui. Não era Pooh, como as crianças o conhecem hoje.

Guilherme Karan foi chamado a pedido de Xuxa que, claro, já gostava do trabalho do ator desde Super Xuxa contra Baixo Astral (1988). Coube a ele dar vida a Aparecido, o mordomo de Shirley, que sonhava com uma bem sucedida carreira de ator e que, do nada, aparece vestido como os personagens que gostaria de interpretar.

Guilherme Karan: escolhido por Xuxa para dar vida ao mordomo Aparecido

Os demais personagens apenas dariam suporte ao roteiro do dia, sendo interpretados por atores convidados. Falando nisso, a ideia era que cada programa tivesse pelos menos dois convidados relacionados à música. Na estreia foram a dupla Chitãozinho & Xororó e os sambistas Neguinho da Beija-Flor e Dona Zica da Mangueira, que interpretam eles mesmos na história.


Chitãozinho & Xororó; Dona Zica da Mangueira e Neguinho da Beija-Flor, os convidados da estreia. A ideia era que cada episódio tivesse pelo menos 2 convidados relacionados à música

Já os atores convidados para a estreia foram:

Victor Fasano – o galã, que também estava no ar na novela “Barriga de Aluguel”, deu vida ao Dr. Reinaldo Doce, um médico capaz de curar traumas e fraturas somente com ondas de amor.  De cara, ele fez Shirley sentir o “ricochete” da onda de amor em lugares não imaginados no tratamento (uma das poucas piadas com caráter mais adulto do programa). Depois é a vez da avó Cotinha ficar “animada” com a visita do médico, num dos melhores momentos da personagem.

Victor Fasano: o galã trocou por uns momentos o drama de Barriga de Aluguel pelo humor debochado de Xuper Star


Zezé Macedo: a eterna intérprete de Dona Bela (Escolinha do Professor Raimundo) aparece logo no início do programa como a cosmetóloga Heleninha Rubinstone, numa referência à Helena Rubinstein (1872-1965), pioneira na indústria de cosméticos e produtos de beleza.

Zezé Macedo: participação pequena em referência à cosmetóloga Helena Rubinstein


Jorge Lafond e Paulette: os dois atores conhecidos por seus personagens gays estereotipados acrescentaram mais um à lista. Lafond interpretou Nanete, um costureiro que faz dupla com Naná, interpretado por Paulette. Naná e Nanete criam os figurinos de Shirley em conjunto, mas sempre encontram um ponto para divergir.

Naná e Nanete: mais dois personagens gays um tanto estereotipados para Jorge Lafond e Paulette incluírem na lista de sua carreira. Outros tempos...


Patrycia Travassos, Cristina Pereira e Luiza Tomé: o trio interpreta as representantes da Casa da Mãe Solteira e vão reclamar sobre a ajuda dada por Shirley. Elas não querem dinheiro, querem maridos! Outros tempos em que ainda havia o pensamento de que a mulher precisava de um homem para criar seus filhos... Certamente o roteiro seria diferente nos dias de hoje.

Cristina Pereira, Patrycia Travassos e Luiza Tomé: as mães solteiras que só queriam um marido e pediam a ajuda de Shirley Liz



📚 Referências do episódio
Já que falamos de coisas que ficaram lá nos anos 80/90, vamos às referências encontradas no programa e que hoje poderiam passar despercebidas ou não compreendidas.

🔹 Doutor Kildare – o famoso personagem americano foi estrela de filmes, seriado e até histórias em quadrinhos que retratavam seu cotidiano como médico. Ele é citado pelo mordomo Aparecido como sua maior inspiração. Isso porque a série de TV, exibida nos anos 60, e que tinha o ator Richard Chamberlain no papel título, foi um grande sucesso.

Dr. Kildare, praticamente uma Grey's Anatomy dos anos 60: drama e cotidiano hospitalar

🔹 Medidas Provisórias – o ano de 1990 ficou famoso pelo grande número de medidas provisórias do governo federal. Tanto que Puf se ofende quando Shirley compara o programa a elas, alegando que ninguém queria mais saber daquilo. Só para contextualizar: até abril/1991 existiam 295 medidas provisórias vigentes, dessas, 165 tinham sido promulgadas entre janeiro de 1990 e março de 1991.

A transição Sarney - Collor ficou marcada pelo excesso de medidas provisórias


🔹 Porta da Esperança
se Shirley não podia resolver o problema das mães solteiras, o jeito era manda-las para o seu amigo, que poderia colocá-las na “Porta da Esperança”, programa que Silvio Santos apresentava na época. “Dá um beijo no tio Silvio por mim” – fala Shirley ao se despedir.



🔹 Hi Lili Hilo – Quando os estilistas Naná e Nanete começam a discutir sobre o nome que dariam à roupa que tinham feito para Shirley, um sugere “Hi Lili Hi Lili Hi Lo” e o outro quer que seja “Eu levo a vida a vida cantando”. A apresentadora então sugere que juntem os dois nomes num só. Isso, na verdade, é o refrão da música “Hi Lili Hi Lo” que ficou famosa na versão em português de Gal Costa em dueto com o Trem da Alegria em 1985 (apesar de mesmo antes já existirem gravações de Nalva Aguiar e Maria Bethânia).

A música é uma versão de Hi-Lili Hi-Lo, música que ficou famosa como tema de Lili, filme americano de 1953

🔹 Dercy Gonçalves – quando Shirley é convidada para ser madrinha da Unidos do Vilajão, deixam claro que ela teria que desfilar de topless e Shirley responde que não sabe se poderia ser como Dercy. Em 1991, Dercy desfilou de topless pela Viradouro. A imagem virou o momento mais comentado do carnaval daquele ano. Na verdade essa nem era a ideia de Dercy ao desfilar, mas a fantasia não parava em seu busto e ela acabou deixando ela caída assim mesmo.

A Unidos do Vilajão queria Shirley de topless no próximo carnaval, tal e qual Dercy no carnaval de 1991

🔹 DDX – essa é só pra quem é bem fã do “Xou da Xuxa”... o telefone de Shirley é o mesmo que Xuxa usava no quadro DDX em seu programa. Ah, falando em Xou, no finalzinho do episódio, numa participação mais que rápida, aparece o famoso sonoplasta My Boy que Xuxa tanto falava no Xou, mas nunca aparecia. 

DDX no horário nobre: Discagem Direta com a Xuxa? Não, com a "Xirley"...



🎙️ Música Tema
O programa ganhou uma canção composta por Michael Sullivan e Paulo Massadas. Os arranjos são de Ary Sperling. A letra conta a escalada de Shirley rumo à fama e guarda elementos parecidos com a história de Xuxa.

Na abertura a música é interpretada por Massadas e no encerramento é a vez de Xuxa cantar (mas usando a interpretação vocal de Shirley). Curiosamente o trecho da abertura (cantado por Massadas) é o encerramento da música, pois já fala dos dias de estrelato de Shirley.



 

🤔 Para Baixinhos ou Para Altinhos?
Desde sua concepção, o Xuper Star era classificado para a família. Chico Anysio tinha essa preocupação como afirmou à Folha de São Paulo:

O público infantil deve ser grande. Qualquer coisa de sexo foi muito contida para não ferir a imagem de alegria e saúde que Xuxa passa às crianças

Xuxa demonstrou a mesma preocupação quando perguntada sobre o Xuper Star ser classificado como um novo programa infantil.

A questão do direcionamento do público: até onde ir de forma que a família toda pudesse assistir
Foto de Mirian Fichtner


 ⚠️ Repercussão e Audiência
Em termos de audiência, o programa teve a melhor média dos programas que estrearam na Terça Nobre: 38 pontos segundo o Data Ibope. Para comparação: o “Dóris para Maiores” em sua estreia teve 35 pontos e caiu para 24 já na segunda exibição (Folha de São Paulo, em 21/06/1991).

Porém a crítica especializada não deu chance para o programa dizer a que veio. Não foram poucos os defeitos apontados e os títulos das matérias já causavam uma má impressão; dessa maneira, dificilmente quem não tinha visto a estreia se interessaria pelo próximo episódio.

A Folha de São Paulo começou sua dissertação dizendo que não entendia como a Rede Globo havia produzido para sua maior estrela algo tão “pífio e sem graça”. Mas o que parecia poupar Xuxa, segue ainda mais cruel: “sem graça, sem imaginação e com o toque de Sadim de Jorge Fernando (Midas ao contrário)”. Nota-se uma má vontade exagerada do autor Sérgio Augusto para com Xuxa. No mesmo texto ele diz que nossos “vizinhos” (referindo-se à Argentina) seriam submetidos à mesma tortura já que Xuxa estava preparando a estreia de um programa latino. O que isso tinha a ver?

O Jornal do Brasil disse que Chico Anysio estava levando Xuxa para o abismo e que ela estava a anos luz de fazer alguma interpretação como ele. Mas a crítica Marília Martins não menciona, em momento algum, que Xuxa nunca teve a pretensão de ser atriz.

Sonia Abrão, em sua coluna para a revista Amiga, diz que somente Karan salva o programa e que a interpretação de Xuxa “não está com nada”.

Mas curiosamente, na mesma revista que Sônia fala isso, o crítico Eli Halfoun reconhece que as críticas estavam exageradas em relação ao desempenho de Xuxa e que o programa seria melhor aceito se Xuxa já não fosse a grande estrela que é.

Afinal por que Xuper Star incomodou tanto? Porque era "da" Xuxa, oras...


Depois da avalanche de críticas, a Globo e Chico Anysio encomendaram uma pesquisa junto ao público e o resultado não refletiu a cabeça dos críticos e sim o números da audiência.

Chico Anysio falou sobre o resultado ao jornal Estado de São Paulo em junho de 1991:

“Encomendei uma pesquisa ao Ibope que garantiu que o programa agradou a 78% de quem o assistiu. Só 22%, incluídos aí os críticos, não gostaram. A Xuxa ficou magoada porque disseram que o programa era pífio. Pífia é a inveja de crítico. Então eu disse pra ela: alguém falou bem dos seus discos, que vendem milhões de LPs? Alguém falou bem dos seus filmes que levam cinco milhões de pessoas ao cinema? Não, ninguém falou disso. Aí eu completei: você é linda, jovem, milionária, carismática e talentosa. Tudo isso incomoda demais os críticos, que ganham, no máximo, Cr$ 500 mil por mês.”

Nota do blog: Essa soma equivaleria hoje a cerca de R$9.500,00 (considerando o IPCA)

 

🛑 Cancelamento
O fato é que, com ou sem crítica e aprovação popular, as gravações do segundo episódio foram canceladas e começaram as especulações da imprensa.

A reputação do programa estava arranhada com as críticas e dizia-se que Boni, vice-presidente de Operações da Rede Globo na época, teria vetado o roteiro do segundo episódio. O mesmo disseram de Xuxa. Chico Anysio, por sua vez, desmentiu ambas teorias ao Jornal do Brasil em 23/05/1991: “O Boni gostou do roteiro e Xuxa também”. Uma coisa era certa desde antes da estreia: não haveria Xuper Star na terça-feira 28/05/1991. Na data, a TV Globo exibiria o futebol Brasil x Bulgária.


Para completar o caminho de pedras de Xuper Star, Xuxa sofreu lesões em sua pele devido às inúmeras maquiagens e à alta exposição às luzes dos refletores em tão curto espaço de tempo. Até as gravações do Xou da Xuxa foram suspensas, imaginem então as de Xuper Star.

Xuxa só não gravou esse mês porque o Dr. Ivo Pitanguy proibiu. Ela está com o rosto em carne viva, por causa do uso de maquiagem, e sem maquiagem não tem programa.” – justificou Chico ao jornal Estado de São Paulo.

E era verdade, o famoso cirurgião plástico Ivo Pitanguy e a dermatologista dra. Tereza Fátima Xavier Brito tiveram que fazer um procedimento específico de peeling em Xuxa para que sua pele não ficasse manchada e irritada como estava. Os danos eram perceptíveis a olho nu como noticiou o Jornal do Brasil (23/05/1991).

O destino do programa foi decidido no dia 23/05 numa reunião entre Chico Anysio, Marlene Mattos e Boni. Até segunda ordem, somente após o total restabelecimento de Xuxa estudariam a volta de Xuper Star à programação noturna da Globo.

Tanto que Chico Anysio foi taxativo quando o jornal Estado de São Paulo perguntou se o programa tinha saído do ar: “Claro que não!(05/06/1991).



Mas o tempo confrontou Chico e, em agosto, o próprio Boni já decretava o fim da atração, pois Xuxa já havia assumido outros compromissos (a essa altura ela já estava alternando entre Buenos Aires e Rio de Janeiro para dar conta das gravações dos programas Xou da Xuxa e Show de Xuxa):

“O Xuper Star não poderá ser levado adiante porque o tempo disponível da Xuxa é cada vez mais restrito, impedindo que o projeto fosse corrigido e satisfatoriamente desenvolvido(Boni em entrevista ao Estado de São Paulo, 10/08/1991)

Mas mesmo antes disso, Xuxa já tinha dito durante o "Xou" que, além da questão de sua pele, ela não estava muito satisfeita com os roteiros seguintes que lhe foram apresentados: "Não é bem o que me falaram que ia ser, então estou esperando que apareça uma história legal. Quando aparecer, vou fazer".

E assim o programa que teria incialmente 9 episódios até o fim de 1991 se tornou um único especial noturno.

 

👽 Episódio 2 – Uma Filha do Outro Mundo
Esse seria o nome do episódio seguinte ao da estreia. O roteiro – escrito por Chico Anysio, Luís Carlos Góes e Aires Vinagre, os mesmos da estreia – apresentaria a chegada repentina de uma extraterrestre ao programa de Shirley Liz.

A ET seria interpretada por Amanda Acosta, na época uma das integrantes do Trem da Alegria. A própria Xuxa teve a ideia de convidar a menina. “Ela até me pediu para aumentar o papel da pequena extraterrestre e nós demos um segundo tratamento ao texto original” – comentou Chico no dia da suspensão do programa.

Ao final da estreia, Shirley se encontra com o cantor Wando nos bastidores da TV e dá a entender que ele estaria no episódio seguinte, mas isso não chegou a ser confirmado se realmente seria uma pista ou era apenas uma participação aleatória da estreia.

Amanda e Wando: possíveis convidados do episódio 2



🎞️ Curiosidades
🔹 As gravações duraram cerca de uma semana e começaram no dia 11/04, no Teatro Fênix. Algumas cenas usaram os bastidores do Domingão do Faustão como cenário. Inclusive Fausto Silva se encontrou com Xuxa num desses dias. O registro foi mostrado no Vídeo Show.

🔹 Uma das primeiras imagens do programa foi mostrada no dia 22/04/1991 no Xou da Xuxa, quando Rachel Batista fez sua estreia como repórter no “Jornal da Xuxa” entrevistando Jorge Fernando e a personagem Shirley Liz. Dois dias antes, o Video Show exibiu uma matéria sobre as primeiras gravações da atração.


🔹 Assim que Chitãozinho & Xororó encontram Rosicleide Sueli, ela solta um sonoro “Chitãozinho e Xororó, meeeus amoooores!”; depois dessa gravação Xuxa passou a chamá-los assim também nos seus programas e a dupla chegou a contar que até na rua as pessoas os chamavam usando o bordão de Rosicleide.

🔹 E é na apresentação da música “Gente Humilde” da dupla que podemos ver Xuxa caracterizada como o Moleque (que já havia aparecido no Chico Anysio, nos Trapalhões e até no cinema em “O Mistério de Robin Hood”). Aliás, Xuxa aparece caracterizada como a família inteira do Moleque. Chico Anysio tinha planos para ele... 


🔹 Chico Anysio não participou atuando no programa, mas em algumas fotos de divulgação vemos ele "contracenando" com a personagem Sueli Rosicleide. Reparem bem na cenas, tudo indica que os dois aproveitaram um intervalo nas gravações para repassar a cena em que Shirley Liz encontra o Dr. Reinaldo Doce

Shirley Sueli ou Rosicleide Liz? Até o roteiro enrolado simulando o microfone da apresentadora

🔹 Outros personagens criados por Chico e que seriam interpretados por Xuxa: a cozinheira da casa e a irmã de Shirley Liz. Infelizmente nunca saíram do papel.

Xuxa caracterizada como o pai do Moleque... já que o personagem teria uma participação maior no programa, talvez fosse a oportunidade dos personagem que apareceram ao fundo do clipe de "Gente Humilde" terem seus 15 minutos de fama

🔹 Pituxa Perón ou Livita Pastel? Já que o programa não ia mesmo continuar, arrumaram um destino para o figurino da personagem Livita Perón (ou parte dele). Em algumas apresentações das Paquitas no Xou em 1991, Letícia Spiller (Pituxa) surge com a inconfundível peruca ruiva da personagem para cantar "Auê".

Fica até difícil reconhecer Letícia Spiller (à direita) debaixo dessa cabeleira toda

🔹 E falando em reutilização, em 1992 o nome "Xuper Star" batizou uma das famosas sandalinhas da loira que a Grendene lançava todo ano. O comercial era protagonizado pela atriz Paloma Bernardi. Quem lembra?

Embora na tampa da caixa aparecesse escrito apenas Xu Star, o comercial de TV era bem claro: "Xuper Star"

⚖️ "Me ensina um pouco, ó vida..."
Não se pode dizer que Xuper Star foi um sucesso, tampouco um fracasso. Ele não teve tempo de construir sua história. Talvez ele tenha vindo na hora errada... Desvincular a imagem de Xuxa do "Xou" em pleno 1991 (ainda que por apenas um dia por mês) era muito ousado, pois não ela não estava fazendo uma participação especial no programa de algum humorista. O programa era dela! E fora a questão do momento, há um elemento atemporal que nunca pode ser esquecido em se tratando de Xuxa: seu peso na balança dos julgamentos sempre será maior.




Comentários
2 Comentários

2 comentários:

Fabiano disse...

Otima resenha!
Parabéns meninos do Xuper Blog

Novas Novidades disse...

Muito bom. Eu amo esse programa. Pena que não continuou. Mas valeu muito! Obrigado pela matéria.

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