segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Xuxa 5 - O Disco ║30 anos║

Cada vez que iniciamos uma matéria comemorativa sobre os discos da Xuxa nos vem uma pressão - criada por nós mesmos - de entregar algo que seja melhor - ou pelo menos igual - ao que fizemos para o disco anterior. Se conosco é assim, imaginem para Xuxa que, além das próprias exigências, tinha que encarar o desconforto em fazer algo que ela nunca teve facilidade: cantar. 

"Quando chega a época de gravar me apavoro complemente. Ponho o pé no estúdio e a voz desaparece, fico rouca mesmo. Bebo seis copos d'água por faixa. Tenho a maior dificuldade de sustentar a nota, manter o ritmo, e quando desafino morro de vergonha de me ouvir. Odeio errar." 
(Jornal do Brasil, 11/08/1990) 

Em meio ao medo genuíno de Xuxa, uma crise econômica no país e o declínio - ainda maior - da indústria fonográfica, nasceu Xuxa 5, que neste 1º de agosto completa 30 anos. O disco que, sem querer, trouxe numa de suas músicas a frase que sintetizava seu maior desafio: "tudo que eu fizer, eu vou tentar melhor do que já fiz"





👑 "O novo 'Xou' fonográfico"
Foi com esse título que o jornal O Globo anunciou a chegada do "Xou da Xuxa 5" às lojas de todo o país. Se para a fórmula do repertório do disco, mais uma vez, permanecia a máxima "em time que está ganhando não se mexe", para sua apresentação mudanças ocorreram


Não era mais "Xou da Xuxa", era só "Xuxa". A alteração (estratégica) passou despercebida em quase todas matérias da época que preferiam seguir a "regra": Xou da Xuxa 5 ou 5º Xou da Xuxa. O propósito disso nada tinha a ver com uma intenção de fixar o nome de Xuxa como cantora ou se adaptar ao popular (ninguém comprava o "disco do Xou da Xuxa" e sim o "disco da Xuxa").

No fim de 1989, Xuxa havia se lançado no mercado internacional, em especial a América Latina, com um disco todo em espanhol, um sucesso instantâneo. O disco saiu pela Globo Records (representação da Som Livre no exterior). Com o crescente interesse dos "bajitos" pela loira, a Som Livre enxergou uma maneira de expandir suas vendas sem muito trabalho: distribuir o disco brasileiro nesses países que estavam envoltos na XuxaMania

O público latino já estava familiarizado com o nome Xuxa e sua pronúncia, mas pedir que entendessem que "xou" tinha a pronúncia de "show" (lembrando que fora do Brasil não existe a "língua do X") era pedir demais. Pareceria algo como "Czou da Xuxa". Também não existia, ainda, o programa "Show de Xuxa". Solução simples, rápida e barata: suprimir os dizeres "Xou da" no nome do disco, assim o latino leria só "Xuxa" e o brasileiro não deixaria de comprar por conta disso. 


Só "XUXA", sem "Xou": alteração estratégica em razão da distribuição fora do país 

E tem mais: notem que o "5" não é tão evidente na capa como aconteceu nos discos anteriores, onde o numeral tinha hierarquia quase semelhante à do nome "Xuxa". E assim o Xuxa 5 ganhou as lojas de alguns países latinos na edição brasileira mesmo, com distribuição da Som Livre. 


💸 É ou não é dose pra leão?
Hora daquela viagem no tempo para entender em que cenário o Xuxa 5 chegava. O mercado fonográfico, que havia experimentado um boom nas vendas com o congelamento dos preços entre dez/88 e maio/89, encarava um cenário totalmente oposto em 1990. 



O Brasil estava em meio ao Plano Collor (em vigor desde 15/03 daquele ano), que determinava que as quantias superiores a 50 mil cruzados novos (cerca de R$8,3 mil) depositadas em contas de poupança fossem bloqueadas. A inflação mensal havia chegado na casa dos 84%. Claro que o consumo dos itens "supérfluos" - como discos, fitas e CDs - cairia consideravelmente e, dessa vez, parecia que nem o "toque de Midas" de Xuxa poderia dar jeito nisso. 

Em razão da crise, parte da população dava seu jeito, mas nem sempre de forma lícita. A indústria da pirataria havia chegado com força total. Não que ela tenha começado em 1990, mas foi nesse ano que ela se tornou acessível a qualquer pessoa. Pronto, outro golpe no mercado fonográfico. 





🤗 Pra mim só existe você...
Mas dados de mercado, pirataria, plano econômico etc. eram assunto para a gravadora resolver, Xuxa queria mesmo era levar sua mensagens e divertir seus baixinhos: 

"Transmito em todas as músicas uma mensagem de positividade, pois é isso que as crianças me passam. Crianças para mim não são um trabalho." 
(Jornal O Globo - 02/08 e Jornal do Brasil - 10/08/1990)

A produção do disco mais uma vez estava a cargo de Sullivan e Massadas. As gravações ocorreram, em maioria, no mês de julho, pois no primeiro semestre, Xuxa teve que se dedicar às gravações do filme "Lua de Cristal" e à divulgação de seu disco em espanhol em outros países. Muita coisa para realizar e pouco tempo para executar.

Em meio às muitas composições que recebiam, havia uma triagem pelos produtores, depois as faixas eram mostradas para Xuxa e ela escolhia as que queria gravar:


Xuxa durante as sessões de gravação das músicas do "Xuxa 5"

Depois disso, as crianças faziam a escolha final. Foram selecionadas 20 músicas; dessas, apenas 13 ficaram. O processo era o mesmo dos discos anteriores: audições-teste com crianças (algumas vezes no estúdio, outras nos intervalos do "Xou") e as músicas que mais empolgassem os pequenos, passavam. E o que empolgava uma criança no início nos anos 90? Vamos conhecer a história de cada faixa e, como sempre, ciceroneados por ninguém menos que Paulo Massadas.




Cid Guerreiro! Sim, ele novamente. O cantor baiano parecia ter virado um talismã. Pela terceira vez consecutiva, uma composição sua abria um disco da loira e era eleita como música de trabalho. Praticamente a "Trilogia do Ê": Ilariê (1988), Tindolelê (1989) e o ...Olê Olê de Pinel Por Você (1990).

A fórmula era a mesma: letra simples, melodia animada e refrão grudento. A única coisa que ficou de fora dessa vez foi o neologismo; Cid não inventou uma palavra como "ilariê" ou "tindolelê".


Cid Guerreiro e sua responsabilidade: pela terceira vez emplacar o carro-chefe num disco da loira


Pinel foi lançada nas rádios no dia 27/07/1990 como o carro-chefe do disco, encerrando o reinado de "Lua de Cristal" nos charts (apesar de estar no disco, Lua tinha por principal missão divulgar o filme). Deu certo; por algumas semanas, Pinel figurou na listas das "mais tocadas". No programa, Xuxa passou a encerrar o 1º bloco ao som da faixa (exatamente como acontecia com Ilariê e Tindolelê nos anos anteriores).




Além disso, recebeu uma “honraria” antes só dada a duas outras músicas da carreira de Xuxa: Doce Mel e Turma da Xuxa. Fantástico (TV Globo), exibiu com exclusividade um clipe da música, onde Xuxa descobre uma espécie de caixa-mágica, que ao ser aberta, faz a alegria e diversão tomarem conta de tudo. Algo como a Caixa de Pandora ao contrário.  
Em 2003, ganhou novo clipe no programa "Xuxa no Mundo da Imaginação".


Pinel por Você e seus clipes ao longos dos anos

Foi regravada em espanhol, "Loquita Por Ti" (Xuxa 2, Globo Records) e em inglês, "Crazy About You" (não lançada comercialmente). Em 2005, ganhou uma versão rap no XSPB 6 - Festa.





Em 1990 não tinha ritmo que fizesse mais sucesso que a Lambada. Até na abertura da novela dos 8, Rainha da Sucata, a dança estava presente. Beto Barbosa e Kaoma figuravam em todas listas de mais tocadas. E as crianças, principalmente, se amarravam na dança; mesmo que olhares mais conservadores a apontassem como picante demais. É como dizem por aí: a maldade está sempre nos olhos de quem vê. Então, vai ter lambada no disco da Xuxa sim! E se reclamar, vai ter duas! 

Sullivan e Massadas não deram voltas, simplesmente deram a receita de como dançar lambada, o resto era com a meninada. O refrão ainda deu a oportunidade de Xuxa relembrar, na coreografia, um pouquinho da língua dos sinais.


Lambada na em libras? Temos também!


"Quisemos fazer uma brincadeira, essa música é quase uma canção de roda. Como produtores e compositores, precisávamos também seguir o momento e o momento era da lambada. Era só aquele empurrãozinho e o sucesso aconteceria naturalmente. Era um bom lance pra Xuxa, mas sem maiores pretensões." (Paulo Massadas, julho de 2020)

Muita vontade de entrar na dança: Na faixa é possível ouvir várias pessoas aplaudindo, assobiando e cantando junto, deixando tudo mais animado. Xuxa contou que colocaram 15 pessoas em estúdio para conseguirem esse efeito.

Um vestidinho pra ser rodado e uma sandalinha pra dançar: a Grendene entrou na dança e queria lançar um modelo apropriado, que fosse plano, para as crianças dançarem. E quem seria a garota propaganda ideal? E assim surgiu em setembro de 1990, a Xuxandália. A sandalinha foi produzida por apenas dois meses.


Xuxandália: produção por apenas 2 meses e vendas na casa de um milhão de pares. A Grendene estava de olho no ritmo do momento


L de Levada, A de Angélica, M de Mariane... Sim, não foi só a Xuxa. No mesmo ano, outras apresentadoras infantis também entraram na dança. Angélica lançou, como música de seu terceiro disco, "Me Dá um Beijinho" (com Kaoma), Mariane veio com "Levanta a Poeira", Mara com "Doida Pra Dançar", Trem da Alegria com "Lambada da Alegria"(com Xuxa) e "Lambada Danada". Todos lançados em 1990. Era ou não era o ano da lambada?


No comparativo do Jornal do Brasil é possível ver o quanto era inegável o sucesso de Xuxa mesmo em tempos de crise. Sua tiragem, mesmo reduzida naquele ano,  era praticamente o dobro de todos os outros juntos


B de Bobeira... E não é que teve emissora de rádio proibindo que tocasse lambada e Xuxa? Pois é, um padre do Paraná virou notícia por conta dessa proibição, alegando que a loira estava "desalfabetizando as crianças" e "fazendo músicas maliciosas"e que os ouvintes não precisavam de lambada porque "lambada ele dava no sermão da igreja"... Aham, sentá lá, seu padre, até parece que a Xuxa inventou o ritmo.





Xuxa nunca escondeu sua predileção por filmes de terror, nem sua vontade de ser a mocinha do clipe Thriller de Michael Jackson. E como desejo da Rainha vira realidade: era hora da loira ter uma "Thriller" para chamar de sua. Claro que sua intenção não era assustar e sim divertir os baixinhos, mas revendo as apresentações da música hoje em dia,  conclui-se que quem se divertia mesmo era a Xuxa...


"Thriller Só Para baixinhos" - o chamado Terrir (Terror + Divertir) 


"Aquela onda do Michael Jackson, de colocar um pouco de terror nas músicas, tipo Thriller, era um tempero diferente. E tem um detalhe: toda criança gosta de brincar de monstro, coisas que dão medo... Junta esse "medinho infantil" com um arranjo sensacional do Lincoln Olivetti! Mal começa com aquele barulho dos vagões e você já fala "uau"! 

A coreografia também lembra a obra de Michael, mas de forma menos complexa. As Paquitas se revezavam para interpretar os monstros mencionados na letra, já o Cavaleiro Negro ficou para o Dengue. Na turnê, as meninas ganharam um figurino mais elaborado, meio zumbi, que passou a ser utilizado também no Xou da Xuxa a partir de 1991.


Na turnê, as paquitas ganhavam adereços para dançar a músicas; os mesmos que passaram a ser incorporados nas apresentações no programa a partir de 1991


A risada de "bruxa" que aparece em diversos momentos da faixa é da Paquita Cátia Miúxa, tanto que seu apelido era Miuxa Bruxa


A risada de bruxa da Miúxa já aparecia em momentos de descontração do "Xou", antes mesmo da música existir

A Cátia gostava dessa coisa de fazer a risada de bruxa e resolvemos incluir. Ainda lembro dela na frente do microfone, sozinha, fazendo a gravação da risada enquanto a gente assistia. (Paulo Massadas, julho de 2020)


Outra curiosidade é que Xuxa chegou a contar que havia planos de se gravar um clipe (que não aconteceu); mesmo assim a música foi bastante apresentada no decorrer de 1990 e início de 1991.

O clipe acabou acontecendo em 2003 no "Xuxa no Mundo da Imaginação" e antes disso foi relembrada nos dois especiais de Halloween do "Planeta Xuxa" (2000 e 2001). Uma versão em espanhol saiu em 1991 no disco "Xuxa 2".




Se no Xou da Xuxa 3 a Rainha ensinou o abecedário e no 4º Xou da Xuxa ela ensinou as continhas da Matemática, no Xuxa 5 ela foi mais além e ensinou os baixinhos a acentuar as palavras, mas sem ser entediante. Essa trilogia de faixas educativas foram todas assinadas por Ronaldo Monteiro de Souza (em parceria com César Costa Filho em Abecedário - 1988 e Prêntice em Conte Comigo -1989 e Cobra, Chapéu e Palito -1990).

"O Ronaldo era compositor da MPB, fez várias composições com o Ivan Lins; mas todo mundo queria ter uma música no disco da Xuxa, então ele se adaptou a ela" - nos conta Massadas. E a adaptação valia a pena, quem conseguisse emplacar uma faixa no disco da loira recebia cerca de Cr$3 milhões(*) de "advance" (jargão para adiantamento).


Nos shows ao vivo, Xuxa virava a "Tia Xuxa" e ensinava a meninada as regras de acentuação numa performance divertida


Bastante divulgada, a primeira versão da coreografia era muito divertida: Paquitas e Metralhas sentavam no palco simulando uma sala de aula, enquanto Xuxa vinha como professora para dar a aula de acentuação. Nos shows, Xuxa vestia o clássico figurino de professor, com direito a beca e capelo.


Quem disse que para ser educativo precisa ser chato?
"Cobra, Chapéu e Palito... Você nunca vai esquecer"


A partir de 1991, a música passou a ser cantada na linguagem dos sinais, sendo tocada quase que diariamente em finais de bloco. Também ganhou clipe em 2003 no "Mundo da Imaginação".





Tem muito fã que classifica "É ou Não É" como uma espécie de versão de "La Isla Bonita" (1986) de Madonna. Os primeiros acordes até lembram o sucesso da cantora americana, mas nunca houve qualquer informação oficial sobre isso. Um ouvido mais atento percebe que as canções tomam rumos diferentes ao longo de sua evolução.

Levando em conta que a música nasceu das mãos de Lincoln Olivetti(1954-2015), considerado o mago da música pop brasileira, fica ainda mais difícil imaginar que ele precisasse se "inspirar" em Isla, pois ele criava hits e arranjos diferenciados com muita facilidade.

"Se não fosse a sonoridade do Lincoln, não teríamos conseguido aquela vanguarda. Era impressionante, único! O som que se fazia nos EUA era o mesmo que ele fazia no Brasil. Ele entendia tudo de tecnologia, eletrônica. Então talvez por isso a semelhança com a música da Madonna." (Paulo Massadas, julho de 2020)

"La Isla Bonita" e "É ou Não É": a introdução das duas faixas realmente é parecida, mas só isso. Lincoln Olivetti era o mago do pop brasileiro e seus arranjos tinham padrão internacional como aponta Massadas

Cantada diversas vezes na íntegra, inclusive no programa Os Trapalhões durante a participação de Xuxa daquele ano. A loira chegou a dizer que a faixa poderia ser um hino para ela, pois acreditava muito no que dizia a letra.





Mas se existe alguma música que pode ostentar o título de hino, essa música é Lua de Cristal. Primeira música do álbum a ser divulgada, no Xou da Xuxa de 27/03/1990, foi  composta especialmente para o filme que a princípio se chamaria "Xuxa e a Turma Invencível", Lua de Cristal acabou rebatizando o longa-metragem. A história da música se mistura com a história do filme e, se você ainda não viu, assista a esse vídeo que explica todo seu processo de criação:




Foi também a primeira a ser distribuída para as rádios (antes mesmo do lançamento do filme, em junho de 1990), sendo uma das mais executadas naquele ano


Xuxa apresenta "Lua de Cristal" no palco do "Xou da Xuxa", usando um de seus figurinos mais memoráveis


O primeiro clipe da música foi exibido no especial de Dia das Crianças do Xou da Xuxa, sendo reprisado dias depois no Criança EsperançaUma segunda versão do clipe foi exibida no especial de Natal noturno de 1990 (posteriormente incluída na VHS Momentos Especiais - 1992). A música ainda ganhou um 3º clipe, exibido no especial de Natal matinal do Xou da Xuxa.


O sucesso de "Lua de Cristal" foi tanto que no espaço de 3 meses, ela ganhou 3 clipes diferentes


Com o contínuo sucesso da música, Lua de Cristal ganhou OUTRO clipe no especial de natal de 1991. No especial noturno "Xuxa 10 anos", em 1996, mais um (o 5º)!

Lua de Cristal ganhou quatro regravações na voz de Xuxa: para o programa Xuxa do Mundo da Imaginação, em 2004 (com coro das Princesinhas de Petrópolis); em 2005 para o álbum "Xuxa Festa" (com a participação de Sasha); em 2008 para o especial de Natal "Xuxa e as Noviças" (em versão lírica) e, finalmente, em 2017 para a temporada #1 do Dancing Brasil (Record TV)

Os vocais originais de Xuxa foram reutilizados numa versão que simulou um dueto com Michael Sullivan, em seu disco "Duetos", lançado em 2005. A música também foi gravada em espanhol (1991) e em inglês (apesar de nunca ter sido cantada no programa americano).


E uma das fotos mais populares de Xuxa em sites de buscas por imagens é exatamente de uma das performances de "Lua de Cristal"







O ano de 1990 marcou o início da expansão da carreira de Xuxa internacionalmente e não paravam de surgir novos convites de diversos países, sobretudo da América Latina. Em meio a tantas viagens internacionais, Michael Sullivan e Paulo Massadas aproveitaram para unir o real ao lúdico.

"A Xuxa é um fenômeno brasileiro que foi extremamente longe. Se você estoura nos EUA ou na Europa é bem mais fácil conquistar o mundo e olha ela: no Brasil, cantando em português e para criança, totalmente improvável! Mas aconteceu, então quisemos brincar com essa volta de Xuxa ao mundo". (Paulo Massadas, julho de 2020)



Xuxa pelo mundo: Sullivan e Massadas transformaram o real em lúdico para compor "I Love You Xuxu"


Se Xuxa tinha que viajar para tantos lugares, que fosse a bordo de sua nave e por que não incluir outros países (ou continentes) além dos que a loira já ia visitar profissionalmente?Para os países latinos ficou apenas o ritmo, que mistura mambo, salsa e lambada. No decorrer da faixa, tanto a coreografia quanto os efeitos sonoros iam se adaptando ao país falado na música; sem contar o recurso de misturar os idiomas no refrão. E quem reparou que países desses idiomas (inglês e francês) não são citados na letra?

I Love You Xuxu chegou a ser tema do primeiro bloco do programa, antes do lançamento do disco, sendo uma das primeiras a serem divulgadas. Bastante trabalhada em 1990, acabou deixada de lado nos anos seguintes. Em 1991, ganhou uma versão em espanhol no disco "Xuxa 2".





Essa pode ser considerada a faixa "unindo o útil ao agradável". Embora tenha sido trabalhada após a Copa do Mundo, o tema estava em voga e "Canja de Galinha" é claramente inspirada nos hinos de futebol, com sua letra otimista para a conquista de jogos e pacificação de torcidas. Mas claro que o destaque é a citação do clássico grito das torcidas nas gincanas escolares dos anos 70/80: "é canja, é canja, é canja de galinha / Arranja outro time pra jogar na nossa linha"...

"O Mazinho Turle tocava no conjunto do Lincoln Olivetti comigo, quando a gente fazia baile na década de 70. Não o via há muito tempo, mas ele ficou sabendo que eu era produtor da Xuxa, e me mandou a fita com a música. Ouvi e já passei pra ela. Sem dúvida a inspiração foi a Copa do Mundo, mas o disco acabou sendo gravado depois…" (Paulo Massadas, julho de 2020)

Pode não ter rendido para a Copa, mas rendeu em outros aspectos: serviu como uma espécie de jingle para o Caldo Maggi, da Galinha Azul tanto no programa, quanto no comercial veiculado na TV. 


Canja de Galinha e a Maggi: tinha merchandising? Tinha, mas tinha responsabilidade social também!


Inúmeras vezes a personagem visitou o "Xou" e dançou a música ao lado de Xuxa.

De leste a oeste, de norte a sul...Sim, todo mundo sabia a música da Galinha Azul

E o merchandising era "do bem", havia uma campanha atrelada a ele: inúmeros prêmios (patrocinados pela Nestlé) seriam sorteados entre as crianças que enviassem uma cartinha para a promoção; em contrapartida a empresa entregaria às crianças assistidas pela LBA o equivalente a um copo de leite por cartinha recebida na promoção.





Apostando em novos ritmos, "TwistXuxa" pega carona num curioso momento. Entre o final dos anos 80 e início dos anos 90, o revival do rock'n'roll dos anos 50/60 estava na moda tanto nas músicas, quanto nos filmes. E o twist é um ritmo que deriva do rock dessa época. 


TwistXuxa surgiu de um pedido da loira, que mesmo antes de ter uma música com o ritmo já arriscava uns passinhos no palco do "Xou"

Quem fazia um trabalho nesse estilo musical do rock anos 50 era o grupo "João Penca e Seus Miquinhos Amestrados". Então nada mais propício que contar com Avellar Love e seus parceiros no coro da música. O grupo já era atração cativa do Xou e tinha acabado de fazer uma participação no filme Lua de Cristal.



TwistXuxa surgiu de um pedido da loira, que tinha visto um desses filmes e achava o ritmo "mais interessante que a lambada", por exemplo. Apesar do estilo promissor, TwistXuxa entra para o grupo de faixas menos trabalhadas do álbum, nunca sendo cantada na íntegra na época. Porém, foi relembrada anos mais tarde, com uma performance no TV Xuxa, em 2005.




Como dissemos, quando o disco saiu, a Copa do Mundo já tinha acabado (sem título para o Brasil), mas o clima de futebol ainda era forte. Rubens Alexandre então repetiu sua fórmula do 4º Xou (1989): humanizar os bichos. Se no ano anterior a sacada era o desfile de modas da Dona Onça (em "Dona Girafa"); agora os baixinhos iam conhecer a Copa do Rei Leão (que, nesse caso, não é o Simba, viu, turma das novas gerações?).

"O Rubens sempre vinha com essa coisa de bicho, era um universo fácil de se criar, e todo disco da Xuxa tinha que ter aquela música estilo fábula. Era o tipo de música que a gente mostrava já sabendo que já seria aprovada pela Xuxa. Eu já tinha ideia do que ela gostava de gravar." (Paulo Massadas, julho de 2020)

Um fato curioso é que no filme "Se Minha Cama Voasse"(Disney, 1971), o momento mais marcante é uma partida de futebol organizada pelo Rei Leão e muito do que está na letra da música também acontece no desenho: o elefante tapando o gol com seu tamanho, o ataque do rinoceronte, a briga generalizada ao final da partida. Coincidência ou inspiração?


A partida de futebol dos animais é o destaque do longa "Se Minha Cama Voasse" (Bedknobs and Broomsticks) produzido pela Disney em 1971. Para quem conhece bem o filme é impossível não se lembrar dele ao ouvir "Copa da Floresta"


A música foi a escolhida para abrir os shows da turnê do disco. Antes da nave aterrissar os animais disputavam a partida no palco, só depois que Xuxa chegava. No programa foi pouco trabalhada e ganhou uma sobrevida em 2002, quando ganhou um clipe no programa "Xuxa no Mundo da Imaginação".


Xuxa em segundo plano: tanto na turnê de 1990 quando no clipe de 2002, os animais é que comandam 






Outra lambada? Sim! A segunda lambada do disco teve uma divulgação bem mais tímida, ganhando mais força na temporada de 1991 do Xou da Xuxa, quando vez ou outra era escolhida para encerrar o primeiro bloco. Foi uma das primeiras composições assinadas por Ary Sperling (que mais tarde se tornaria coordenador musical de várias edições do XSPB) para um disco da Xuxa. Apesar do apelo comercial do ritmo, a música acabou ofuscada por Tempero da Lambada e Lambada da Alegria, que Xuxa cantava com o Trem da Alegria no disco do grupo.


Quase o ditado popular: um é pouco, dois é bom e três é demais... Com outras duas  lambadas cantadas por Xuxa em divulgação, Vem Lambaxuxa só ganhou um pouco mais de destaque no ano seguinte, mas a febre da lambada já estava  passando

Da série "Verbos da Xuxa": Depois de Remelexuxa, temos lambaxuxa. Esses neologismos com o nome da loira devem ter feito muito professor de português se arrepiar, afinal são verbos... ou não? Na reedição em CD de 2006, a música foi listada como "Vem, Lambaxuxa", o que soa estranho pois que está se chamando alguém. Em 2013 mudaram para "Vem Lambaxuxar"; com R.  Nas plataformas de streaming o título também é com r e, encerrando o assunto, a música é registrada no ECAD como "Vem Lambaxuxar". É oficial, é verbo... já pode incluir no "Aurélio" 😎





A última música de caráter educativo do álbum traz um incentivo à leitura. A música foi relativamente trabalhada no Xou da Xuxa e integrava a setlist do show. Trata-se de uma das únicas músicas da carreira musical de Xuxa em que ela canta sem coro. Ela mesma faz os  backing vocals em algumas partes, mudando o tom de voz.


"Leitura" é um exemplo de faixa que conseguiu melhor repercussão fora do Brasil. Em 1999, passou a ser tema do quadro "Cantinho da Poesia" no Xuxa Park

Leitura ganhou uma versão em espanhol em 1991 (Xuxa 2), sendo mais trabalhada lá fora.
Em 2003 ganhou um videoclipe no programa Xuxa no Mundo da Imaginação. Foi cantada no TV Xuxa, em 2005.




Encerrando o disco, temos a (tradicional) faixa ecológica do álbum; a única lenta. Desde "Super Xuxa Contra o Baixo Astral", a loira já alertava sobre a questão da caça ao boto rosa. Um costume baseado unicamente na crueldade, já que a carne do boto não é própria para o consumo (e mesmo que fosse, não justificaria). Nas feiras da região norte vendem os olhos como amuleto, os genitais como afrodisíacos e ainda usam a carne como isca para pescar peixes, como o atum. Não foram poucas as vezes que Xuxa falou disso no Xou antes mesmo da música ser lançada.


Xuxa foi a primeira a falar da questão da caça ao boto rosa, até então o animal era mais conhecido por sua lenda (imagem ilustrativa)

A letra mistura a questão da consciência ecológica à lenda do boto: em noites de lua cheia o boto sai do rio, se transforma em um homem galante, todo vestido de branco e usando chapéu, para seduzir as mulheres. Os arranjos de Ary Sperling deram o toque folclórico e tiveram como inspiração um grande sucesso de 1990: a novela Pantanal (TV Manchete), em especial a trilha sonora instrumental de Marcus Viana.

"Boto Rosa foi muito importante no repertório, era a chance de mostrar coisas além do cenário infantil. O arranjo tem aquele clima da novela "Pantanal"; o Ary trouxe isso de forma incrível. Era o cenário da época, as pessoas cada vez mais eram conquistadas pela novela. Foi o casamento perfeito de letra, melodia e arranjo." (Paulo Massadas, julho de 2020)


Uma das músicas de trabalho na época de lançamento do disco, cantada inúmeras vezes nos programas. Em 1990, ganhou um videoclipe no especial de natal do Xou da Xuxa (provavelmente um descarte do especial noturno)


Exibido no Xou da Xuxa na manhã de Natal de 1990 e no Show de Xuxa em 1991, o clipe ficou eternizado na memória dos baixinho por estar na VHS XUXA - Momentos Especiais, de 1992 (Globo Vídeo)

Ainda naquele ano, foi apresentada no Especial de Roberto Carlos (Xuxa foi a convidada de honra). No ano seguinte, desta vez no especial de Natal noturno, Xuxa fez um dueto com Milton Nascimento (na verdade, Milton cantou por cima da gravação de Xuxa).


Xuxa deu seu recado ao público de Roberto Carlos em 1990 e no ano seguinte foi a vez de trazer Milton Nascimento para cantar o respeito ao boto rosa

No programa Show de Xuxa na Argentina, em 1991, Xuxa chegou a comentar que tentou fazer a adaptação para a versão em espanhol, mas sem ter um bom resultado e por isso acabou sendo descartada.
Em 2004, ganhou um clipe no Xuxa no Mundo da Imaginação e ainda foi lembrada no TV Xuxa, em 2005.


🤔 É ou não é faixa descartada?
Sabem como é cabeça de fã, né? Basta a Xuxa ou alguém da produção dizer que foram gravadas mais músicas do que as que estão no disco que automaticamente já pensamos: "e cadê as outras?". Em outubro de 1990, Xuxa cantou pela primeira vez a música "Direitos dos Baixinhos", no especial de Dia das Crianças do Xou da Xuxa. A faixa acabou saindo no disco que fazia uma compilação de faixas gravadas mas não lançadas, o "Xuxa" de 1993.


A música de 1990 cantada no especial de Dia das Crianças seria para o Xuxa 5?


Seria "Direitos dos Baixinhos" um descarte do Xuxa 5? Tudo indica que não, pois existem duas questões apontando nesse sentido. Uma no contexto histórico: a faixa surgiu no ano da aprovação do ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069 de 13/07/1990), que regulamentava os direitos das crianças. A data da aprovação seria muito em cima para dar tempo da faixa estar no disco e além disso, Brasil somente aderiu à Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança em 02/09/1990; o que faz desse último um real motivo para se compor uma música sobre o tema e que cairia como uma luva num Especial de Dia das Crianças.

Já a outra questão é mais técnica: nas sessões de gravação destinadas à escolha do repertório é comum que as faixas tenham a mesma produção, regência e músicos, pois são gravadas num mesmo período.  Os arranjos e regência do Xuxa 5 se dividiram praticamente entre Lincoln Olivetti e Ary Sperling, já "Direito dos Baixinhos" tem arranjo e regência de Julinho Teixeira que não aparece creditado em nenhuma música do disco. Bom, teorias e mais teorias, mas votamos na opção "(x) não é".



🗓️ Lançamento e divulgação
No "Xou da Xuxa" de 1º/08/1990, Xuxa saiu da nave com seu novo disco nas mãos, mas ele nem era tão "novidade" assim. Nos dois programas anteriores, capa e contracapa já haviam sido mostradas e boa parte das músicas já tinha sido cantada na atração.



Um comercial para TV passou a ser veiculado e ele entra facilmente para a lista de comerciais, digamos, meio estranhos da Som Livre. No vídeo, a capa do disco começa a surgir no céu como se fosse um meteoro e crianças ao vê-la, passam a segui-la, até que ela cai e emerge de uma lagoa em tamanho gigante. Uma coisa meio monstros-de-seriado-japonês, sabem? Bem nonsense e o Xuxa 5 merecia algo melhor, mas fazer o que, né?



Nas revistinhas em quadrinhos da Editora Globo, um anúncio divulgava o disco e também a VHS de Lua de Cristal, também lançada em agosto daquele ano. Para o Dia das Crianças um novo anúncio foi veiculado, desta vez nos jornais e sem a VHS de Lua.


Anúncios nas revistinhas em quadrinhos do Editora Globo (esquerda) e jornais de grande circulação (direita) foram publicados entre agosto e outubro de 1990




💿 Formatos
Seguindo a regra da época, Xuxa 5 saiu em LP e K7 e, no final do ano, ganhou sua edição em CD (o formato ainda não era popular e as gravadoras esperavam datas em que o consumo aumentava - Dia das Crianças e Natal - para colocá-lo nas lojas).

Sem qualquer edição promocional, o atrativo era um postal autografado da Rainha para quem comprasse a versão em LP. 


Seguindo o disco anterior: a versão em LP vinha com um postal de brinde

Já a K7, como sempre, amargava a condição de nada ter de especial.



K7: como de costume, sem qualquer atrativo extra


Ao longo dos anos, a versão em CD foi relançada 4 vezes. A primeira delas em 1995 (mesma época em que os dois primeiros discos da loira na Som Livre saíram pela primeira vez em CD). Depois veio a reedição dentro do selo Gala (1997); nove anos depois (2006) outro relançamento, mas dessa vez com direito à contracapa externa. Fechando as reedições, o disco saiu no formato cardsleeve dentro do Box Xou da Xuxa, em 2013.

Atualização: Para que não haja dúvidas, é importante ressaltar a diferença entre reedições (relançamentos) e tiragens. A série Gala (1997) possui tiragens diferentes, mas na mesma reedição (existe variação na apresentação da mídia: a de duas cores, a totalmente prata e a totalmente preta). Na reedição ou relançamento o item recebe novo código de barras. Na matéria, abordamos apenas as reedições 😉



Somente a versão cardsleeve do Box "Xou da Xuxa" preservou a contracapa original




📷 Ensaio fotográfico
Paulo Rocha fez as fotos de Xuxa numa praia ao entardecer, a ideia era aproveitar o sol das 16/17h para um visual mais acolhedor. Xuxa contou, em entrevista ao programa Amaury Jr., que o tumulto criado era tamanho que as pessoas aplaudiam cada clique do fotógrafo.



Algumas das muitas fotos divulgadas do ensaio que deu origem à capa do disco


A escolha das fotos da capa e contracapa foi feita a partir de uma votação nos intervalos do "Xou da Xuxa", como era comum acontecer. 

Outras fotos do ensaio(outtakes) foram divulgadas na imprensa em matérias aleatórias, mas uma delas rompeu fronteiras: a Time Magazine (uma das revistas mais lidas nos EUA) usou uma desses registros para explicar aos seus leitores quem era a "Golden Girl" que dominava o mercado de discos, brinquedos e TV no Brasil.





💲 Vendagem
O disco saiu com 1 milhão de cópias vendidas ANTES de ser lançado, resultado das encomendas dos revendedores. Se comparado ao disco anterior, uma queda de 50%. O que havia acontecido? O toque de Midas da loira não funcionava mais? Não, a situação econômica do brasileiro estava crítica mesmo. E o poder de venda de Xuxa era tanto que os lojistas queriam compensar as baixas vendas com as vendas do Xuxa 5, o que acabou prejudicando ainda mais.


Situação ruim para todo mundo: a Polygram já considerava 600 mil cópias uma ótima vendagem e a Som Livre viu a recessão engolir 2/3 de seu faturamento com as trilhas sonoras.

O disco era vendido a um preço muito maior que os demais, pois sabiam que Xuxa ia vender. Só para se ter uma ideia, o disco de Xuxa não saía por menos de Cr$800,00 (e esse era um preço caro para a época). A Rainha sobressaía até em relação a outros estilos musicais. 

Lembrem-se que no anúncio estão listados os discos mais vendidos na época


E não vamos esquecer das fitas piratas (já mencionadas no início do texto). Olha só o depoimento de um dono de loja de discos do Rio ao jornal O Globo em 14/10/1990. Adivinhem quem ele dá como exemplo?




Vender um milhão de cópias nesse cenário já era um motivo para se comemorar e o então presidente da Som Livre, João Araújo, fez questão de frisar isso quando foi ao "Xou" entregar o disco de diamante à Xuxa.

Assim, Xuxa 5 foi o primeiro disco da era "Xou da Xuxa" a não atingir a marca dos 2 milhões no ano de seu lançamento. Infelizmente, nem depois ele atingiu a marca. Os últimos dados oficiais são de 1993: 1.148.861 cópias vendidas. Com os relançamentos em K7 (1995) e CD (1995, 1997, 2006 e 2013) o número certamente subiu, mas mesmo assim eram tiragens relativamente baixas, impossibilitando o alcance do alardeado número.


João Araújo entrega o disco quádruplo de platina (equivalente a um disco de diamante) pelas vendas do Xuxa 5

Paulo Massadas atribui a queda nas vendas também a outro fator: "antes de mais nada, isso não representa um declínio de Xuxa em hipótese alguma. É o processo natural de tudo que atinge o ápice e, em algum momento tem que deixá-lo. Tudo da Xuxa era explosão, mas antes existia uma concentração. Foi muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e a grande fórmula começava a se desgastar. Mas o grande de trunfo de Xuxa era o fato de ela nunca ter se considerado cantora, é mais fácil assimilar isso".


🗺️ Turnê
Se em vendagens o disco não alcançou o esperado, não se pode dizer o mesmo da turnê "Xou da Xuxa 90". Sucesso absoluto! Quando o disco saiu, todas as datas já estavam fechadas. Shows no Brasil e pela América Latina; sem dúvida, a turnê mais ambiciosa da loira até então.


Cartaz de divulgação da turnê "Xou da Xuxa 90"


Talvez por essa razão a "Xuxa 90" foi chamada pela imprensa de a "Blond Ambition de Xuxa" (numa referência à emblemática turnê de Madonna, realizada no mesmo ano). Com orçamento de 3,5 milhões de dólares, Xuxa não economizou para oferecer o melhor espetáculo que seus baixinhos poderiam ver.




Tudo era tão grandioso que poderíamos fazer uma matéria a parte só com a parte técnica da turnê: 13 mil lâmpadas, 60 mil watts de som, palco de 288 m² e 25 toneladas, 8 caminhões, 2 carretas... e por aí vai.

No dia 24/08, a uma semana da estreia, Xuxa fez uma coletiva de imprensa para anunciar as novidades, entre elas um balão dirigível em forma de nave que sobrevoaria o estádio na hora do show e também antes do show nas cidades por onde a turnê passaria. Só o balão custou 300 mil dólares. O balão foi levado para quase todas as cidades por onde o show passou.


Com altura de 35m (o equivalente a 9 andares) e largura de 27m, o balão sobrevoava a cidade durante aproximadamente 2h divulgando a turnê

A estreia aconteceu em 31/08/1990, no Olympia/SP, com todos ingressos vendidos. No palco, a Nave Xuxa aterrissava novamente (somente a partir de 1989, a Nave passou a fazer parte de uma turnê), Xuxa surgia cantando "Lua de Cristal", que ganhava um bis ao final do espetáculo.

Na abertura ouvia-se a locução na voz de Dirceu Rabello (o mesmo que fazia a locução de toda a programação da TV Globo): "É preciso sonhar muito, é preciso sonhar sempre e é preciso ter muita força para nunca desistir do sonho. O sonho é a chave da porta da vida e da felicidade." Sim, era o show dos sonhos de qualquer baixinho! 




「 Curiosidades:
① Rainha triste: Antes da coletiva, Xuxa recebeu a notícia que D. Alda, sua mãe, havia sofrido um acidente de carro quando se dirigia ao aeroporto Santos Dumont no Rio. Dona Alda ia encontrá-la em São Paulo. Mesmo sabendo que a mãe já estava medicada e com acompanhamento, era visível a preocupação da loira. Mesmo assim, Xuxa cumpriu seus compromissos e voou imediatamente de volta ao Rio para encontrar a mãe.


A aparência preocupada de Xuxa durante a coletiva, D. Alda estava bem, mas Xuxa queria estar com ela

② Show extra: Na segunda feira antes do show de estreia (31/08), todos os ingressos já  estavam vendidos para todas as cincos datas reservadas para São Paulo. Decidiram abrir uma data extra em 06/09 e, claro, esgotou também.

③ Internacional: Foi a primeira turnê de Xuxa a passar por cidades fora do Brasil: Assunção (Paraguai) e Santiago (Chile), onde foi encerrada. Nessas cidades, algumas músicas foram trocadas pelas versões em espanhol lançadas no álbum "Xuxa" (1989).

④ Boto Rosa: Um ônibus cor-de-rosa todo personalizado transportava Xuxa e sua equipe em trajetos menores. O nome dele? Boto Rosa! Seu custo: 400 mil dólares.




⑤ De longe, mas de perto: pela primeira vez um show da loira contou com telões ao lado do palco; macrotelas de 48 m² exibiam tudo possibilitando que até quem estivesse mais lá trás conseguisse ver a Xuxa em close.(Folha de SP 25.08.1990 / O Estado de São Paulo - 25.08.1990).

⑥ Metralhas & convidados: No palco, a novidade ficava por conta das Gêmeas Metralha, que pela primeira vez faziam parte do elenco. Além disso, inúmeros convidados passaram pelos shows, como Sergio Mallandro, Balão Mágico, Leandro & Leonardo, Sidney Magal e a cantora Roselle.


O show era dela, mas tinha espaço pra muita gente brilhar. Cada espetáculo contava com convidados especiais. A cantora Roselle foi uma das que esteve na estreia.


⑦ Das bancas para o show: o palco era decorado com blocos que traziam ilustrações dos personagens da Turma da Xuxa. As mesmas ilustrações da Dominó da Xuxa, que tinha sido lançado cerca de um mês antes da estreia do show.

⑧ Adereços: Também pela primeira vez, Xuxa usava adereços diferentes a cada música: chapéu de professor em "Cobra, Chapéu e Palito", saia florida em "Tempero da Lambada", vestido a la Carmem Miranda em "I Love You Xuxu"...




De Fora: Das músicas do Xuxa 5, apenas "TwistXuxa" e "Vem LambaXuxar" não entraram para o setlist da turnê.

⑩ Prêmios para os baixinhos: Quando se comprava o ingresso, recebia-se uma espécie de ingresso sobressalente que devia ser destacado e colocado numa urna gigante. Durante o show a loira sortearia prêmios oferecidos pelos patrocinadores.

 Fala a verdade! O prêmio podia ser até um chiclete mascado, o importante é que você iria subir no palco e ganhar uma abraço da Xuxa!



🌅 O amor me faz cantar...
Pode-se dizer que Xuxa 5 foi o disco certo no momento errado. Além da pressão pelo resultado, mesmo num ano de recessão, ele foi praticamente “engolido” por todas as coisas que aconteciam e eram novidade na carreira de Xuxa como o mercado internacional e o recorde no cinema nacional. Vender UM MILHÃO de cópias nesse cenário nunca foi sinônimo de declínio, como avaliou o próprio Paulo Massadas.

Não podemos esquecer, principalmente, dos avanços que esse disco trouxe para a discografia de Xuxa: produção e arranjos cada vez melhores e a qualidade vocal da loira que, inegavelmente, sobressai aos discos anteriores.

Se Xuxa cantou que “não é sempre que a vida é da maneira que a gente quer”, ela também cantou “tudo que eu fizer, eu vou tentar melhor do que já fiz”... E fez! Do contrário, você não teria nem começado a ler uma matéria sobre os 30 anos do Xuxa 5 💁🏻‍♂️





Comentários
12 Comentários

12 comentários:

Fábio disse...

Que lindo... Como sempre, vocês arrasam nas matérias! Parabéns 👏👏👏

Fabiano disse...

Que riqueza de detalhes meninos!!
Parabéns!

Xuxa Sósia Luciene disse...

Maravilhoso!! Parabéns pelos detalhes!! Ameii!!! Xouuu!! Bjos e abços 💋💋😍😘🥰❤😍

Renan disse...

Qualidade jornalistica espetacular. Parabéns!

MENINOS QUIETOS disse...

Matéria incrível 😎 Amei .🤟🌈

Helian disse...

Que materia maravilhosa vcs arrasam Xuper Blog ❤❤

Rummenigge disse...

Arrebatadora a matéria! Coisa linda de se vê. Material completação,um trabalho de pesquisa estupendo! Muitíssimo obrigado pela matéria incrível. Parabéns a todos os envolvidos!

Unknown disse...

Parabéns! Reportagem top!!!

Ribirth disse...

Amei pessoal!!! Aproveitei e ouvi o álbum durante a leitura. Parabéns!!!

José Emanuel disse...

A matéria, o levantamento histórico e a entrevista estão um XOU! Parabéns!!!

Hagentx disse...

Está incorreto a questão dos relançamentos em CDs, esqueceu de informar a versão amarela do rótulo do CD, fora as versões Gala Prata e Gala Preto.

Unknown disse...

Amei as curiosidades do Xuxa 5. Vcs estao de parabéns
Abraços, queridos

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