quinta-feira, 11 de julho de 2019

4º Xou da Xuxa - O Disco || 30 anos ||


Quando falamos em 4º Xou da Xuxa, certamente nos lembramos de Tindolelê, sucessor natural de Ilariê (1988), e podemos pensar que a frase que sintetiza o processo de criação do disco se resumiria a “em time que está ganhando, não se mexe”... Mas, por mais óbvio que isso possa parecer, ousamos dizer que a frase que melhor traduz esse álbum é “conseguir um novo cliente é muito mais difícil do que manter um cliente atual, máxima de livros de marketing. No caso, o cliente é, nas palavras de Xuxa, “sua majestade, o baixinho”.

Assim surgiu o disco 4º Xou da Xuxa – a rigor, o 5º da discografia inédita da loira – com a complicada missão de esticar, por pelo menos mais 12 meses, o sucesso incontestável do Xou da Xuxa 3, que já havia ultrapassado a casa das 3 milhões de cópias vendidas.



Lançado em 11 de julho de 1989, o disco ocupa o segundo melhor lugar em vendas na discografia da Rainha e enfileira 14 músicas novas, sendo 13 cantadas por Xuxa e 1 para Xuxa. A produção é de Michael Sullivan e Paulo Massadas e a coordenação artística é de Max Pierre.

"Estou satisfeitíssima com o Sullivan e o Massadas. Eles são gênios!" respondeu Xuxa à Folha de São Paulo, em 12/08/1989, quando a repórter perguntou se ela não pensava em chamar outras pessoas para cuidar de seus discos.


🤫Não me venha reclamar...
Se entre 1987 e 1988, o único nicho que crescia na contramão da crise do mercado fonográfico era o infantil, o ano de 1989 parecia trazer boas notícias para a música, pelo menos no Brasil.

Às vésperas da implantação do Plano Verão (janeiro de 1989), houve o congelamento dos preços dos discos e cassetes no país em dezembro de 1988 (e durou até maio de 1989). Isso favoreceu as vendas que estavam frias (menos para Xuxa). Para que se tenha uma ideia de como isso foi importante – e como refletiu no 4º Xou – precisamos saber que, só entre janeiro e maio de 1989, o número de discos vendidos aumentou 62%, o de cassetes 92% e o de CDs 472% se comparado ao mesmo período em 1988.

Com o preço do disco reduzido, ouvir música tornou-se uma opção de lazer mais acessível do que sair de casa. Preparadas para um período de recessão no primeiro semestre de 89, onde contavam com uma redução de 30% nas vendas, as gravadoras foram surpreendidas pelo ‘boom’(FSP – 18/07/1989)

O congelamento dos preços dos LPs e K7s aqueceu a vendas que estavam estagnadas desde 1988 (menos para Xuxa, claro!)


Todas as gravadoras colheram bons frutos no período, mas vamos nos ater aos dados da Som Livre. Curiosamente, a gravadora foi a que menos cresceu em comparação às concorrentes e o que pode parecer ruim, é muito bom. Ora, a Som Livre era a dona do maior fenômeno de vendas de 1988, 1987 e 1986: o catálogo de Xuxa. Mesmo assim ela ainda conseguiu crescer 30% (FSP 18/07/1989) e ainda não estavam computadas as vendas do 4º Xou.



👏Todo mundo pede bis!
Agora que já nos situamos no tempo, é hora de entender todo o processo de concepção do disco e para isso ninguém melhor que Paulo Massadas e Max Pierre para nos orientar. Claro que todo mundo queria o bis: o sucesso do Xou 3 e aqui entra a questão: como fazer mais do mesmo sem ser repetitivo segurando o interesse dos baixinhos?

A fórmula que usamos no terceiro disco, serviu para o quarto, pois em time que está ganhando não se mexe. Quando você identifica o público alvo e o atinge com maestria, é óbvio que a fórmula deve ser repetida. Como o “Xou 3” foi o que vendeu mais, ele se tornou o “padrão”, mas isso não dispensava uma boa dose de criatividade e certos artifícios para fazer algo diferente, sem perder a essência. Uma maneira de dizer a mesma coisa de outra forma. (Paulo Massadas, julho de 2019)




Para Max Pierre, o “Xou 3” caracterizava mais uma “pressão” que um “padrão” e não tinha como continuar o que era único:
A média de vendas dos discos da Xuxa, pelo menos até minha ida, em 1993, para Polygram, era sempre acima dos 2 milhões de discos, o que a tornava, disparado, um espetacular fenômeno de vendas na época. Com a venda do "Xou da Xuxa 3" acima dos 3 milhões, sonhávamos em repetir esse número, mas não tivemos êxito, talvez por não possuirmos em nenhum dos discos da sequência nada tão forte como Ilariê, que se tornou um hino no Brasil e em todo mundo latino. (Max Pierre, julho de 2019)


O fato é que o “4º Xou da Xuxa” já tinha seu primeiro desafio: afastar as comparações. Tindolelê não veio para substituir Ilariê, Milagre da Vida não veio sobrepor Viver, Remelexuxa não queria ser a nova Dança da Xuxa. Cada faixa tem sua história e, embora, os protagonistas sejam os mesmos, os momentos eram outros. Vamos lá?

Entre março e abril de 1989, Xuxa esteve em estúdio gravando o 4º Xou da Xuxa





A faixa que abre o disco, a uma primeira audição, podia ser classificada como uma espécie de Ilariê 2. Aliás, foi assim que o jornalista Maurício Kubrusly se referiu à música em sua crítica ao disco: “é tudo tão semelhante que o disco de agora se abre com um Ilariê 2, chamado Tindolelê 1, assinado pelo mesmo Cid Guerreiro” (Estado de São Paulo – 12/07/1989). Um pouco de exagero, convenhamos...

Xuxa já colhia bons frutos com sua incursão na música baiana desde 1987 (Festa do Estica  e Puxa), Ilariê foi um estrondo, era natural que o ritmo continuasse no repertório. Como a própria sempre fez questão de frisar, Xuxa não era cantora, era vendedora de discos, então se a música tinha potencial e ia vender bem por que não repetir a fórmula? E engana-se que Tindolelê nasceu com o status de carro-chefe:
Tindolelê, claro, pegou o vácuo de Ilariê e segurou o sucesso. É música baiana, música de festa, de alegria, música que te põe pra cima quando as coisas não estão bem. Isso é música da Xuxa! Mas a princípio não tínhamos certeza que seria o carro-chefe do álbum. A gente não mediu cada uma das músicas pra ver qual daria mais certo; enquanto estamos produzindo é como se as 14 músicas fossem 14 filhos, e queremos que todas alcancem o melhor desempenho possível. Só lá na frente é que nós analisávamos, fosse por votação na gravadora ou pela repercussão da divulgação das músicas no programa. (Paulo Massadas, julho de 2019)


Xuxa recebe Cid Guerreiro no "Xou da Xuxa"

🧐Você sabia?
Nheco-nheco, chique-chique: Em 2016, Xuxa contou, durante uma live pelo Facebook, que entre Ilariê e Tindolelê, ela prefere a segunda, por conta da energia que a música transmite já no começo com “todo mundo tá feliz?”

Balancê: a música começou a ser divulgada no Xou da Xuxa, cerca de um mês antes do lançamento do álbum e numa versão maior. Ao invés primeira estrofe ter apenas uma repetição, eram duas. A versão original da música teria uma duração de mais de 5 minutos, bem próxima de Ilariê, enquanto a versão lançada tem 4 minutos.

Todo mundo pede bis: foi incluída como faixa bônus na versão em CD do disco “Xuxa” (Som Livre, 1993), ganhou remix no “Xuxa 10 Anos” (Som Livre, 1996), fez parte das coletâneas “Xuxa Hits volume I” (Globo Disk, 1997) e Xuxa Pérolas (Som Livre 2000). Ganhou nova versão no XSPB 6 – Festa (Som Livre, 2005) e foi incluída no “Pot Pourri Baiano” e no “Megamix” do Dj Meme, de 2004.  Em 1991 ganhou sua versão em espanhol (Xuxa 2 – Polygram) e em 1993, em inglês (1993), ambas sob o nome de Chindolele.

Levanta a mão passando energia: a faixa ganhou clipe no Especial de Natal de 1990 e em 2002 no programa Xuxa no Mundo da Imaginação.

Tindolelê em duas gerações de baixinhos: todo mundo quer dançar!








Bobeou Dançou foi a primeira música com o nome de um programa da Xuxa. Foi feita por encomenda para a atração, que começou como um quadro exibido aos sábados dentro do Xou da Xuxa (por cerca de um mês). Paulo Massadas e Sullivan já sabiam que era uma nova atração e que o nome seria “Bobeou Dançou”.

O sucesso foi tanto que o quadro se tornou um programa independente exibido aos domingos. A letra faz referência à gincana comandada pela loira – “seu tempo acabou” / “O ouro entregou” / “siga minha pista”, mas quem não conhecia o programa a entenderia como um recadinho para o crush não vacilar “se pisar na bola, só tem uma conclusão: bobeou, dançou". Uma alternativa inteligente para que a música não ficasse sem sentido caso o programa não fosse pra frente.


"Bobeou Dançou": de quadro do "Xou" a programa independente aos domingos
Sim, Xuxa ficava no ar a semana inteira!

🧐Você Sabia?
Siga minha pista: enquanto foi um quadro, a vinheta de abertura trazia a música com os vocais de Paulo Massadas., somente quando se tornou um programa independente que entraram os vocais de Xuxa, mas por que?

Eu fazia todas as vozes guias para a Xuxa cantar, de todas as músicas. Ela ouvia a minha voz no fone e botava a dela por cima. Como eu tinha a voz mais alta, ela se inspirava naquilo e se empolgava, ela era pura energia! Xuxa fazia muitas coisas ao mesmo tempo e possivelmente não conseguiu por voz a tempo do quadro ir ao ar e acabou indo com a minha voz mesmo, mas foi provisório.  (Paulo Massadas)







Olha, meu benzinho, eu faço tudo por você: a voz grave que fala “Bobeou Dançou” no refrão é do cantor Ronaldo Corrêa, integrante do grupo Golden Boys (muito famoso nos anos 60). Massadas nos conta que a banda sempre fazia coro não só nos discos de Xuxa, mas de diversos cantores da época, sendo bastante requisitados para isso.










Prêntice e Ronaldo Monteiro de Souza repetem a parceria que deu certo em “Dança da Xuxa” (1988) e Ronaldo, por sua vez, volta a apostar num tom educativo só que agora com números. Para quem não se lembra, ele também compôs “Abecedário da Xuxa”.

Ao contrário de Abecedário que era exclusivamente didática, “Conte Comigo” guarda uma mensagem importante por trás do simples ato de contar os números: contar com o apoio de alguém. Não é tão tatibitate como parece: fiz no coração, contas pra sonhar / contas pra viver / Pra esse mundo ser melhor / a gente conta, conta, conta contigo e você conta, conta, conta comigo. Essa é a virada da música, aprender a somar, subtrair e dividir é legal, mas saber ajudar é melhor! E depois falavam que as músicas da Xuxa eram vazias em conteúdo...

"Conte Comigo" ganhou um clipe, em 2002, no programa "Xuxa no Mundo da Imaginação"










Antes de falar da música, precisamos saber quem é Osmar Osman Aedo, o compositor da faixa. Ele já trabalhava com músicas infantis no Nordeste, inclusive era produtor de uma artista mirim de 7 anos chamada Maria. Paralelamente produzia uma banda chamada Laranja Mecânica em conjunto com Hélio Makumba, que, por sua vez, era produtor do Globo de Ouro (Rede Globo). Numa conversa com o amigo, Hélio perguntou: “você não tem nenhuma música pra Xuxa?”, pois Hélio sabia que estavam selecionando repertório para o disco.

“Eu nunca nem pensei em mandar uma música para a Xuxa, eu não via tanta televisão, mas sabia da disputa que era conseguir entrar num disco dela, ela vendia muito! Lembrei que tinha feito uma música que seria para a Maria, de refrão bem fácil: “1,2,3 – 1,2,3”. Mexi na letra e mandei a demo pra Xuxa. Ela adorou porque estava prestes a comemorar 3 anos na Globo e queria uma música que servisse para a data, falasse de sonho, de faz de conta. Ela tinha gostado, já era alguma coisa. Mas eu sabia que ainda haveria uma seleção final e depois soube que a diretora Marlene não queria nem ouvir a música porque era música baiana e já tinha música assim no disco, então “Dinda ou Dindinha” foi para a lista de descarte, mas a Xuxa disse “não, essa não vai participar de seleção nenhuma, ela já está escolhida!”.
Quando me ligaram falando, eu nem acreditei. Um tempo depois o My Boy, de quem eu era amigo, me convidou para ir ao Rio e me apresentou à Xuxa: “Sabe quem é ele, Xuxa? É o pai de ‘Dinda ou Dindinha’!”. Na mesma hora ela me abraçou e agradeceu pelo música. Ela me tratou com todo o respeito, não só como profissional, mas como pessoa também.”

"Dinda ou Dindinha": escolhida por Xuxa para ser tema das comemorações dos 3 anos do Xou


E não é que nos programas próximos aos 3 anos do Xou, todas as vezes que Xuxa ia falar do aniversário, Dinda ou Dindinha tocava de fundo? Coincidência ou não, também foi nesse programa especial que as Paquitas cantaram Fada Madrinha pela primeira vez, em homenagem à Xuxa.

🧐 Você sabia?!?
Todos nós somos baixinhos: a música serviu de tema do encerramento do último bloco em 1989 e em 1991 (tocava antes de Xuxa subir na nave). Em 1991, ganhou versão em espanhol (Xuxa 2, Polygram Discos) e o nome mudou para Hada Madrina, já que em espanhol a expressão “dinda ou dindinha” não faz sentido.

Faz de conta: a música ganhou clipe em 2002 no Xuxa no Mundo da Imaginação; no palco foi cantada pela última vez em dezembro de 2003, quando Xuxa apresentou o programa vestida de fada.

O clipe de 2002 feito para o programa "Xuxa no Mundo da Imaginação"







Desde o final de 1988, quando assumiu seu namoro com o Ayrton Senna, Xuxa se tornou o principal assunto das revistas de fofocas que a cada dia inventavam uma nova história sobre os dois. Falavam de brigas, de reconciliação e até de gravidez. Claro que tal curiosidade chegaria também às crianças, por que não falar disso numa música? 




A tarefa não era simples, Xuxa já tinha que lidar com discursos que a acusavam de erotizar as crianças precocemente. Se ela falasse de namoro em seu disco poderia, sem querer, alimentar essas histórias. Por isso era preciso que o tema fosse abordado com a devida limitação. A tarefa coube a Paulo Sérgio Valle (nome já consagrado no universo da MPB, que compôs, entre outras, Samba de Verão e Evidências) e Ed Wilson (cantor, integrante do grupo Renato e seus Blue Caps, que compôs, entre outras: Chuva de Prata e Aguenta Coração).

Paulo Sergio Valle é um compositor consagrado. Ed Wilson era da época da Jovem Guarda, um tremendo cantor; quando eles se juntavam tínhamos a parte popular do Ed Wilson e a parte mais sofisticada do Paulo Sergio Valle. Esses dois eram um super talento como compositores e ao saberem que estavam fazendo música pra Xuxa, se adequaram à ela. O compositor é uma verdadeira águia, ele fica ligado em tudo que se move, é bem provável que a música tem sido feita em cima do momento da Xuxa com o Ayrton. Afinal, por que a Xuxa gravaria uma música se não tivesse um contexto? E eles pensavam não só no público mas também na interprete, no caso a Xuxa, em agradá-la. (Paulo Massadas, julho de 2019)

A percepção de Massadas foi confirmada pelo próprio Paulo Sérgio Valle:

A produção da Xuxa pediu para mim e para o Ed Wilson uma música com o tema “Namorar”. Como eu e Ed Wilson éramos parceiros, ficou fácil fazer tal música. Claro que o namoro da Xuxa com Ayrton Senna me inspirou.  Eram duas pessoas maravilhosas, apaixonadas uma pela outra. Um amor bonito sempre inspira, mas nunca perdi o foco no trabalho que ela realizava com as crianças. A música teria que estar dentro deste contexto. (Paulo Sérgio Valle, julho de 2019)

Xuxa e Ayrton Senna em 1989: "quando ele pega uma florzinha para dar pra ela, o que que é, hein?"







Uma das músicas mais bonitas de toda a discografia de Xuxa, Milagre da Vida é a segunda composição de Sullivan e Massadas neste disco e a que eles mais se orgulharam em fazer, como disse o próprio Paulo, no Xou da Xuxa de 02/06/1989.

A ideia da música não foi minha. Lembro do Sullivan me falando que o Miguel Plopschi, diretor da RCA, sugeriu esse tema: “O Miguel tava falando comigo e perguntou: por que não fazemos uma música chamada O MILAGRE DA VIDA?” Fiquei com aquilo na cabeça: “mas o título é muito vago...” Resolvi deixar aquilo maturando e comecei com algo mais genérico: abordar todas as pequenas coisas da vida. “Encontrei a solução”... a solução é a própria criança! A gente deixa de ser criança, mas sempre guarda alguma coisa. É uma música que despertava o lado criança dos adultos. (Paulo Massadas, julho de 2019)



Milagre da Vida também foi uma das faixas que mais sofreu cortes para ser lançada. No especial de Natal de 1989, pode-se ouvir a versão completa através da instrumental tocada. Foi lançada em espanhol, no disco Xuxa 2; no entanto essa versão também é cortada, mas nuestros hermanos tiveram mais sorte: a versão integral saiu no disco da novela argentina “El Arbol Azul”, pois era o tema de abertura. A versão em inglês (1993), Miracle of Life, foi gravada, mas nunca lançada comercialmente

Ganhou clipe de divulgação em 1989, exibido no Xou da Xuxa de 3 anos e no programa de lançamento do disco. Novos vídeos foram feitos para o especial de natal de 1993 e para o especial Xuxa 10 anos. Xuxa também chegou a gravar um clipe da música para o Xuxa no Mundo da Imaginação em Orlando, mas nunca foi exibido.
A música se tornou tema dos vídeos institucionais da Fundação Xuxa Meneghel (inaugurada em 12/10/1989).

"Milagre da Vida" ganhou clipe de divulgação em 1989, exibido no Xou da Xuxa de 3 anos e no programa de lançamento do disco. Novos vídeos foram feitos para o Especial de Natal de 1993 e para o especial Xuxa 10 anos. Xuxa também chegou a gravar um clipe da música para o Xuxa no Mundo da Imaginação em Orlando, mas nunca foi exibido.






Única música sem os vocais de Xuxa - por razões óbvias, pois é uma homenagem para ela – é cantada por Amanda Acosta, na época a mais nova integrante do grupo Trem da Alegria. Vanessa tinha acabado de deixar o grupo. A música foi um presente para Xuxa no seu aniversário de 26 anos, se tornando assim a primeira canção do disco mostrada ao público.

A letra é como a Xuxa é vista pelos olhos de uma criança. Uma letra descritiva, de deslumbre, diante de uma deusa. Para compor, eu tentei me transportar para esse universo, tentei enxergá-la como uma criança: “Xuxa meu sonho de brinquedo, fada madrinha, faz real esse meu mundo de ilusão”.  A Amanda interpretou maravilhosamente bem. O arranjo é rico, poderoso, envolvente, é uma superprodução maravilhosa! (Paulo Massadas, julho de 2019)



Amanda canta a música em sua versão original durante o programa que comemorou os 26 anos de Xuxa

🧐Você sabia?
Recado dado, mas cortado: a música cantada por Amanda no especial de 26 anos da Xuxa era bem maior, com mais de 5 minutos, enquanto no disco ela teve menos de três. Foi a faixa que mais sofreu cortes no disco.

Novos recados: a canção foi regravada por Amanda em 1990 para o especial de natal da Xuxa e ganhou uma versão em espanhol no mesmo ano para o programa especial de natal exibido em alguns países da América Latina.

Recado pra Xuxa: em 1990 a faixa foi regravada para o Especial de Natal da loira



Recado errado: no rótulo do LP a música aparece com os vocais creditados à Vanessa (que era integrante do Trem da Alegria), mas antes que alguém pense que possa ter existido uma versão com Vanessa e que, por conta da saída da menina do grupo, acabou substituída por Amanda, Paulo Massadas já esclarece: “Vanessa nunca gravou a música, foi um erro mesmo”.





No encarte acertaram o nome da cantora, mas no rótulo do vinil a confundiram com a integrante que estava saindo do grupo










Se aqui no Brasil se usasse a estratégia dos “singles”, Remelexuxa certamente seria o segundo “single” do 4º Xou da Xuxa. “A música deu muito certo, tinha uma pegada forte, Chico Roque é um compositor e tanto” sentencia Massadas.

Para que se tenha noção do quanto a faixa era uma aposta, ela ganhou um clipe que foi exibido pelo menos 3 vezes em menos de um mês ( Xou da Xuxa 3 anos – 30/06, Video Show e também no programa de lançamento do disco – 11/07).


Vem aprender com a gente: o clipe foi gravado no dia 19/06, na gafieira Estudantina (RJ). Cerca de 200 crianças participaram da gravação junto com as Paquitas. Na cena final era para que todos jogassem os chapéus para o alto, mas alguém teve a ideia de também arrancar as flores dos arranjos para jogá-las para cima e assim tudo virou uma enorme chuva de flores. (O Globo, 22/06/1989)

O clipe de Remelexuxa foi gravado na gafieira Estudantina no Rio de Janeiro, menos de 1 mês antes do lançamento do disco


Hit sim: Em abril de 1990, quase um ano depois do lançamento, Xuxa apresentou a música no programa Globo de Ouro (Rede Globo). A música entrou na coletânea Xuxa Hits – vol.2 (Globo Disk, 1997)







Composição de Zé Henrique, Robertinho de Recife, Angela Mattos e Val Martins, “Vem Dançar Comigo” foi uma das primeiras músicas a serem divulgadas e foi pensada para funcionar com a coreografia, tanto que a letra é exatamente a transcrição dos passinhos de dança que Xuxa ensinava no Xou, bem antes da música existir. Se no Xegundo, o bordão Beijinho, beijinho, tchau, tchau virou música, agora foi a vez dos passinhos da Xuxa virarem música.


Março de 1989: os passinhos de hoje...



...são a letra da música de amanhã
E para quem achar que é só uma coincidência, o jornal O Globo de 03/06/1989 já deixava bem claro: "Ângela Mattos fez 'Vem Dançar Comigo' inspirada nos passos de dança de Xuxa no programa".

Apesar de muito trabalhada no começo, logo foi deixada de lado e se tornou uma das mais esquecidas do disco, mas em 1997 voltou aos holofotes com a regravação das Paquitas Nova Geração em seu segundo álbum. Em 2005, foi apresentada num dos musicais do TV Xuxa.






A faixa é uma das mais infantis do disco, praticamente uma fábula que traz os animais para o universo da moda, mas nada é tão simples quanto parece...

“Dona Girafa” era uma música do meu irmão, Rubens Alexandre. Um dia ele me mostrou a letra e eu enxerguei ali um potencial. Ele tinha feito a música pensando na Xuxa. Como ele estava começando e eu já tinha uma experiência, mexi em algumas coisas para ajustar, mas o crédito continuou sendo dele. Levei para a Xuxa ouvir.
A letra funcionava muito bem pois tinha tudo a ver com ela: a Xuxa era alta, era muito invejada pelas pessoas, muitas a copiavam, ou seja, ELA ERA a própria Dona Girafa. Era uma fábula muito boa, tinha um concurso que a dona onça deu um chilique… a Xuxa se identificou intuitivamente, quando ela ouviu, quis gravar. (Paulo Massadas, julho de 2019)




Nos shows da turnê, o desfile era encenado no palco enquanto Xuxa narrava/cantava a história.
“Dona Girafa” foi o 1º clipe exibido no programa Xuxa no Mundo da Imaginação, logo na estreia, em 28/10/2002.

Nos shows da turnê, Dona Onça dava seu chilique no palco enquanto Dona Girafa seguia plena, afinal "quem é bonita, é sempre muito invejada"


Resumindo: "Dona Girafa" é praticamente o "Show das Poderosas" versão animal ou seria "Show das Poderosas" a versão humana de "Dona Girafa"?








Essa não é uma das faixas mais lembradas, talvez por não ter sido trabalhada na época ou por não ser de letra fácil e de rápida assimilação, mas “Previsão” nasceu para ser assim mesmo. Quando compôs a letra, Massadas sabia que ela destoava das outras.


Era uma época de muito trabalho, eu tinha conseguido tirar uma semana de descanso e fui pra Ubatuba. Fui pra um hotel perto da praia para respirar um ar. Eram só 3 dias ali. No corredor, no hall do hotel, vi um cartaz com informações de como a gente poderia saber se ia chover se observássemos melhor os sinais da natureza. Comecei a ler aquilo, já pensando: isso dá um tema de música... “a natureza sabe tudo, é só você perguntar”. Eram muitas curiosidades; cá pra nós, seria quase impossível um hóspede parar pra ler tudo aquilo, mas eu achei tudo muito interessante, anotei todos os itens
Quando voltei pra casa,  chamei o Sullivan: “vamos fazer uma música que fale disso aqui" e mostrei minhas anotações. Era pra ser algo mais informativo, com mais conteúdo, mais consistente. Essa música tem muita letra, muita informação. Pra pegar logo de cara no mundo infantil, não dá certo. A nível comercial, é um código mais complicado de atingir a criança. O mercado quer algo que entre imediatamente no ouvido e a criança saia cantando. Ela não foi feita pra ser trabalhada, ela foi feita pra figurar no disco como algo diferenciado. (Paulo Massadas, julho de 2019)









Passatempo” é um dos melhores exemplos de música que fez mais sucesso bem depois de lançada. A partir da temporada 1990, passou a ser tema do primeiro bloco (sempre cantada após Amiguinha Xuxa). Seu objetivo era ensinar as horas; estrategicamente as horas que o Xou ocupava na programação matinal da emissora.



A faixa aparece creditada a Guilherme Junior e Michel Bijou, mas esses foram pseudônimos de Sullivan e Massadas. A gente logo vê que quem escreveu conhecia muito bem o universo da loira.

A música foi feita com a intenção de definir aquele momento da criança com a Xuxa. Imaginou-se a criança olhando o relógio, esperando dar 8 horas para começar o programa, a hora que ela vai ter todos aqueles momentos de alegria. É quase um jingle do programa. Ela era pra fazer parte do disco, mas não necessariamente um tema a ser utilizado no programa. Ela marcava a hora que o programa começava e terminava, dois pontos, norte e sul, era uma noção de tempo para criança. (Paulo Massadas, julho de 2019)

🧐 Se liga na hora:
Fora de hora: "Passatempo" inicialmente era para ser parte do repertório do disco "Xou da Xuxa 3" (1988), mas ficou de fora por uma razão nobre: ela deu lugar a "Arco Íris". A própria Xuxa conta esse episódio em entrevista dada à Rádio 98 FM, do Rio. Antes de fechar o repertório era comum que a produção fizesse algumas audições-teste com crianças para "sentir" quais agradariam mais aos pequenos. "Arco-Íris" estaria somente no disco da trilha sonora do filme, mas a recepção das crianças foi incrível e decidiram por incluí-la ao invés de "Passatempo". Não era hora...

Relógio adiantado: a versão que tocava em 1990 era diferente da que está álbum: os arranjos eram os mesmos, mas de forma mais acelerada, os vocais são diferentes e tinha uma repetição da estrofe cantada pelo coro (o que não acontece no disco).

Relógio no horário de verão: a versão do disco tem um dos cortes mais bruscos e perceptíveis de todo o álbum. Uma pena.

Na hora marcada você me espera: foi cantada no Xuxa Park Especial de 10 anos e no Especial 20 anos. Também ganhou clipe no Xuxa no Mundo da Imaginação (2002) e no TV Xuxa (2005), mesmo as crianças daquela geração não tendo a referência que 8h era hora da Xuxa!

No clipe de 2002 não tinha o "Xou" para referência, mas tinha a "Xuxa"






Estrelinha” provavelmente foi a música menos trabalhada de todo o disco. Na realidade, ela nem foi trabalhada, pois nos programas da época do lançamento ela não tocava nem como música de fundo, imaginem depois... Uma pena, pois é uma daquelas músicas que só cresce no nosso coração a cada audição.
“Estrelinha” foi feita para o que chamamos de “meio de disco”, aquela faixa sem pretensão, que está ali para preencher uma lacuna. É um detalhe, que compõe um todo. Essa música foi feita para a Xuxa, algo mais com a carinha dela, é verdadeira... É Xuxa se comunicando com as crianças do jeito dela, não era pra ser nenhum super hit. (Paulo Massadas, julho de 2019)




Contamos para Paulo Massadas que, recentemente, Xuxa cantarolou a letra praticamente inteira durante uma entrevista ao youtuber Maicon Santini...

“Olha, quisemos fazer uma fábula bem infantil, inocente e pronto! Se ela guardou isso até hoje é porque possivelmente ela se identificou, ela sabia que nossa intenção era só dar uma música “mimosa” para que ela cantasse, era como um presente. Não tinha nada mercadológico, com intenção de fazer sucesso. Talvez por isso, a direção não gostasse de divulgá-la no programa, não ia estourar.”


Dá até pra fazer um livreto infantil: Fábulas do Tio Porquinho e Tio Formiguinha
(para quem não se lembra, "Porquinho" e "Formiguinha" era como Xuxa chamava Michael Sullivan e Paulo Massadas)


A Hora da Estrela Estrelinha: A música fazia parte do repertório do "Xou da Xuxa 3", mas acabou cortada da seleção final, pois as crianças, nas audições-teste, não tinham se empolgado o suficiente para que ela permanecesse no corte final. Lá na matéria sobre os 30 anos do "Xou da Xuxa 3"nós contamos que uma das músicas preferidas de Xuxa tinha sido cortada. Era essa...

Pra todo mundo ver: exatamente dez anos depois, no Xuxa Park em 1999, Xuxa finalmente fez uma performance da música. Antes tarde do que nunca, não é mesmo?





“Alerta” foi composta por César Costa Filho (também compositor de Abecedário da Xuxa) em parceria com Sérgio FonsecaReinaldo Waisman (Banda da Xuxa e Xuxerife) e é uma das músicas mais importantes da discografia de Xuxa. Não por ser um sucesso e sim pela mensagem que passa. Até então ninguém tinha feito uma música infantil para falar dos perigos das drogas. Xuxa sempre foi contra o uso e fazia questão de repassar isso às crianças. Durante a mesma live em que disse que Tindolelê era sua música favorita, Xuxa também se lembra de Alerta como uma das músicas que mais gostou de gravar porque a letra era aquilo que ela acreditava, que defendia.



A letra foi inspirada na carta que um jovem escreveu a seu pai quando já se encontrava bem debilitado pelo uso de drogas ao longo dos anos.

A composição foi feita em cima dessa história. Tomamos conhecimento da carta, e como achamos que o tema poderia ser aproveitado numa canção, fizemos objetivando ajudar outras pessoas que conviviam com o mesmo problema.

Assim que ficou pronta, mostramos ao Paulo na casa dele, nós morávamos no mesmo condomínio. Ele e Sullivan me ajudaram demais a ingressar no mundo infantil com minhas composições (César Costa Filho, julho de 2019)

🧐Você Sabia?!?
Basta só levar caderno e caneta:  nas turnês, inclusive nos shows em espanhol, antes de cantar a música, Xuxa lia a carta do garoto que inspirou a composição.

A carta que inspirou a letra de "Alerta" era lida por Xuxa antes de cantar a música nos shows da turnê, inclusive fora do país

O conteúdo:
"Papai, com as poucas forças que me restam, preso nessa cama, quero te contar a minha história. Sei que estou vivendo os últimos momentos da minha vida. Já conheci e vejo a morte de perto. Agora é tarde, mas quero te pedir desculpas. Sei que é tarde para fazer algo por mim, mas não é tarde pra fazer algo para meus amigos, crianças e jovens que a cada minuto são vítimas do que eu fui no passado. Num belo dia, um homem bem vestido, de boa aparência, me parou e ofereceu drogas. Eu disse que não queria, mas ele disse que se eu não aceitasse, estaria provando que eu não era homem. O resto papai, você já sabe... Me desculpa, conheci o início do meu fim, uma viagem sem volta porque a cada dia, eu precisava mais da droga. Foi horrível! Por isso, quero fazer um último pedido: que alerte a todos que a droga leva ao céu, mas corta suas asas! Perdão, papai... e adeus!"



🗓️Lançamento e divulgação
No dia 10/07, uma coletiva de imprensa foi feita para apresentar o disco aos meios de comunicação.

Xuxa na coletiva de imprensa de lançamento do "4º Xou da Xuxa"

O disco chegou às lojas no dia seguinte, quando foi ao ar um “Xou da Xuxa” especial de lançamento do álbum. O cenário foi decorado com pôsteres da capa do disco, mas a maior surpresa aconteceu quando a nave se abriu e Xuxa surgiu com a roupa das fotos da contracapa. Foi a única vez que isso aconteceu no Xou da Xuxa. Os discos anteriores também tiveram um dia de divulgação no programa, mas nenhum com a intensidade do 4º Xou.


Xuxa apresentou o programa do dia 11/07/1989 com a roupa da contracapa.
Tudo para divulgar o novo lançamento!


Durante o programa Xuxa lembrava que as primeiras 300 cartas que chegassem à produção do programa ganhariam o pôster da capa. Não era sorteio, a pessoa só tinha que ser rápida (e rezar para que os Correios também fossem).

Xuxa mostra o pôster que seria dado para as primeiras 300 cartas que chegassem à produção do programa


No mesmo dia Xuxa participou – ao vivo – do programa “Hebe” no SBT. Foi uma verdadeira comoção, os estúdios da emissora paulista pararam para ver Xuxa e nesse dia Hebe venceu a Globo no Ibope, mas isso é assunto para um outro post.  Xuxa levou o disco para Hebe e durante o bate-papo, o disco ficou exposto apoiado no icônico sofá da ‘loiruda’. Xuxa cantou Tindolelê e Dinda ou Dindinha.

O encontro das loiras nos estúdios do SBT garantiu a vitória na audiência para a emissora de Hebe


O comercial do disco era exibido na programação da Rede Globo, como de praxe, mas teve mais: nos programas seguintes ao lançamento, uma promoção foi lançada: as 500 primeiras cartas que enviassem a resposta correta para a pergunta “qual o nome da música do 4º Xou da Xuxa que fala sobre drogas?”, ganhariam o LP.




No mês de outubro, o disco ganhou nova ação publicitária, desta vez em conjunto com a VHS “A Princesa Xuxa e os Trapalhões”. Anúncios impressos foram veiculados nos principais jornais.
Em dezembro, quando Xuxa comemorou 1 ano de sua revistinha em quadrinhos através de um concurso para que as crianças desenhassem roupas para ela, foram distribuídas 300 cópias do 4º Xou da Xuxa para os classificados.


💿Formatos
Inicialmente o disco saiu em LP e K7, alguns meses depois veio a versão em CD (como era costume na época, pois o CD ainda não era o formato predominante, então as gravadoras esperavam um pouco para lançar o formato, pois seu público era ainda limitado).

4º Xou da Xuxa: em LP, K7 e Compact Disc


Aconteceram ainda 4 reedições em CD: 1995, 1997, 2006 e 2013. Somente na edição de 2006, o CD ganhou uma contracapa, mas que não era fiel à original.


As principais reedições em CD
Na série Gala (1997), há ainda a mídia simples sem qualquer grafismo e sem cor, apenas o nome do disco

A contracapa do LP só foi reproduzida fielmente em 2013

Como brinde do LP, vinha um postal com a foto de Xuxa na frente e uma mensagem da apresentadora no verso. Também só o LP trazia um encarte com as letras das músicas.


O postal veio como brinde para quem comprou a versão em LP

E já que o LP era a estrela das vendas, foi com o 4º Xou da Xuxa que a loira ganhou sua melhor versão promocional de um disco. Para quem não sabe ou não se lembra, o LP que Xuxa mostrava no programa ou até mesmo o LP que ela levou para a Hebe apresentava uma aplicação metálica (uma espécie de hot stamping) no logotipo do disco, como se fosse uma edição de luxo, melhor acabada.

A famosa e cobiçada edição prateada do 4º Xou: apenas promocional

Sempre existiram “teorias” sobre tal edição. Há quem diga que são as unidades da primeira tiragem ou que eram exclusividade de determinada loja ou ainda – a mais absurda de todas – que tais edições seriam vendidas, mas foram recolhidas para que todos os discos fossem destruídos pois havia o boato de que havia mensagens subliminares nas músicas (olha, não sabemos o que é mais constrangedor: alguém acreditar nisso ou precisarmos escrever sobre para acabar com essa “lenda urbana”). Para encerrar essa teoria idiota: se fosse questão de destruir o LP, não bastaria fazer isso com o vinil? Precisaria destruir a capa também?

Comparação: a edição regular e a promocional - diferença APENAS no acabamento do logotipo, não tem nenhuma música com duração diferente ou brindes a mais (era só o postal mesmo)


Mas vamos ao que interessa: afinal os discos de capa prateada eram vendidos ou não? Não! Pelo menos não deveriam ser, pois eram amostras promocionais, invendáveis. Eram feitas para exposição em grandes magazines, programas de TV, divulgação em rádios e para que a gravadora e Xuxa pudessem presentear quem bem entendessem.
Porém existem relatos de fãs que compraram a edição em grandes lojas logo nos primeiros dias. Como dissemos, havia os exemplares de divulgação distribuídos para redes como Lojas Glória, Sendas. Algum funcionário pode ter juntado tudo e colocado para venda? Sim!
Para melhor esclarecer, perguntamos a Max Pierre, o diretor artístico sobre essa possibilidade de existir a venda dessas versões prateadas:

Olha, mesmo que se quisesse, a gráfica onde eram feitas as capas não conseguiria entregar uma encomenda tão fenomenal, com o padrão das capas promocionais, no prazo que a Som Livre exigia.



O carimbo deixa bem claro: INVENDÁVEL
(Existem variações que incluem também o carimbo da BMG Ariola, como o que Xuxa mostra no programa de lançamento)


💲Vendagem
Quando Max fala de encomenda fenomenal ele não estava exagerando. O 4º Xou saiu com DUAS MILHÕES de cópias vendidas antecipadamente. Isso mesmo! Duas milhões. Para comparação: o Xegundo(1987) e o Xou da Xuxa 3(1988) saíram com um milhão de cópias cada.


A Som Livre apostou alto e esperava vender até o fim de 1989, 3,5 milhões de cópias do disco. Não deu para atingir o número, mas nem por isso fez feio: o 4º Xou da Xuxa vendeu 2.885.705 cópias e foi o mais vendido de 1989, ocupando por diversas semanas a lista dos mais vendidos.


Xuxa recebeu em seu aniversário de 27 anos a certificação de 2.500.000 cópias vendidas


Xuxa vendeu, no Brasil, mais que todos os artistas nacionaiso último disco de Roberto Carlos tinha vendido desde novembro de 1988 (lançamento) e julho de 1989, 1,3 milhão de cópias e  internacionais naquele anoMadonna com Like a Prayer, lançado em março de 1989 era a mais bem sucedida cantora internacional no Brasil com 630 mil cópias.





📸 Ensaio
As fotos do disco (capa e contracapa) são de André Wanderley, o mesmo que fez os ensaios do Xou da Xuxa 3. A capa com Xuxa na piscina é uma das mais lembradas quando o assunto é capa mais bonita.

A foto foi feita no finalzinho de março de 1989. Por conta de seu aniversário, Xuxa recebeu muitos buquês de flores e como eles não durariam para sempre, ela teve a ideia de despetalar as flores e jogá-las na piscina de sua casa para fazer a foto. Ela mesma se maquiou e penteou, entrou na piscina e pronto! Imaginem se naquela época já existisse o meme da expectativa x realidade... Essa capa ia render cada pérola! Todo mundo querendo ficar bem Xuxa na piscina...

Xuxa e as pétalas das flores que ganhou em seu aniversário, a foto foi feita no final de março na piscina da casa da apresentadora

E já que estamos falando em inspiração, a contracapa do disco traz um ensaio que é claramente inspirado no ensaio de Madonna para seu disco “You Can Dance” (Warner, 1987). 

Xadonna ou Maduxa?
André Wanderley fez as fotos de Xuxa em 1989 e Herb Ritts as de Madonna em 1987

Um terceiro ensaio aparece no postal que veio de brinde. A foto faz parte da sessão que, no ano seguinte, seria a capa do primeiro disco em espanhol de Xuxa, então vamos deixar para falar dela no momento oportuno. O fotógrafo desse ensaio foi José Antonio.



O ensaio da capa é o que menos tem fotos divulgadas ao longo desses anos, sendo a outtake mais famosa a que foi publicada recentemente no livro Xuxa (Toriba).



Igual mas diferente: quem participava do Xou da Xuxa em 1989 (de agosto em diante) ganhava um postal com a foto da capa (invertida)


Já os outros dois ensaios tiveram muitas fotos divulgadas, inclusive no #TBT da Xuxa. E também serviram como fotos de divulgação de brinquedos e linha escolar da Xuxa nos anos de 1989/1990.

Contracapa e postal: provavelmente os ensaios mais divulgados dos discos de Xuxa, as fotos serviram para brinquedos e até materiais escolares




🗺️Turnê
Claro que um disco com tanta divulgação e expectativa ao seu redor não ficaria sem sua própria turnê. A turnê “4º Xou da Xuxa” foi a mais cara já feita por um artista no Brasil até então: cerca de US$3 milhões, sendo metade bancada pela Sunshine Eventos e a outra metade pelos patrocinadores (Lojas Glória, Postos Atlantic, General Motors, Banco Econômico e Lãs Santista).


O figurino da turnê seguia um padrão, com figurinos bem parecidos


Xuxa era, em 1989, a única artista que usava o mesmo equipamento de luz e som em todas as apresentações para que a qualidade fosse impecável. Adjetivo que também pode ser empregado na cenografia. O palco era formado de três partes: a nave e mais duas partes que reproduziam o cenário do programa. Tudo era transportado por dez caminhões e duas carretas.

Ingresso para o show de Santos / SP - o terceiro da turnê



Foram 29 cidades de 17 estados, num total de 32 apresentações. O primeiro show aconteceu em São José dos Campos/SP no dia 5 de agosto e o último no dia 10 de dezembro em Porto Alegre/RS.

Os primeiros shows da turnê aconteceram em agosto
(05 - São José dos Campos-SP / 06 - Campinas -SP / 12 - Santos-SP / 13 - São Paulo-SP / 19 - Brasília -DF e 20 - Goiania-GO). Um show extra foi acrescentado no dia 8/10 em São Paulo.


Existiam dois palcos: um para estádios e outro para lugares menores, como por exemplo a casa de shows Olympia em São Paulo, que recebia Xuxa pela primeira vez. O palco maior media 288m² e pesava 25 toneladas e foi utilizado em 13 dos 31 shows. (Revista IstoÉ, 30/08/1989)



No repertório apenas 12 músicas da loira, o restante do tempo era dividido com convidados e, nos shows menores, com brincadeiras com a plateia. Ao total eram 2:20h de espetáculo! Entre os convidados musicais geralmente estavam Sérgio Mallandro, Paquitas, Andrea Veiga, Conrado, Trem da Alegria, Jane Duboc, Dr. Silvana e Robby Rosa.

Sérgio Mallandro foi um dos convidados do show do dia 08/10/1989, no Olympia (SP)


Curiosidade: foi a partir dessa turnê que a nave passou a ser levada para todos os lugares. Isso inclusive foi decisivo para que Xuxa assinasse contrato de exclusividade com a Sunshine Eventos. Só o esse cenário custo US$160 mil. “É a maior estrutura empresarial já montada para um artista no Brasil”, dizia, orgulhoso, Augusto Canô, dono da Sunshine (Jornal do Brasil 24/06/1989)

Xuxa recebe Augusto Canô, dono da Sunshine Eventos no Xou da Xuxa


⁉️Curiosidades
🤔No “Xou da Xuxa” de 02/06/1989, Michael Sullivan conta que 18 faixas foram gravadas para o disco e que, naquele momento, elas estavam em processo de escolha. Dois dias depois, começaram a tocar “Tindolelê”, “Vem Dançar Comigo”, “Remelexuxa” e “Dinda ou Dindinha

Sullivan e Massadas dão pistas sobre o disco no programa de 02/06/1989, mais de um mês antes do lançamento


Inicialmente a data de lançamento seria 25/06/1989, mas devido ao grande número de cópias encomendadas antecipadamente, o lançamento foi adiado em cerca de 15 dias.

✂️Cortes: os fãs sempre se questionaram sobre o porquê de muitas músicas serem cortadas no LP. Paulo Massadas nos explica: Naquela época, o formato principal era o LP, onde geralmente cabiam 12 faixas, esse era o padrão. Se você quer colocar 14, a edição das faixas é inevitável. Isso leva a outro fator: a qualidade de som do LP fica comprometida nas últimas faixas, pois tudo vai ficando comprimido. Inclusive, se você comparasse a primeira faixa com a última (naqueles LPs dos anos 80), iria notar que a qualidade da sonoridade caía uns 40%. O resultado é péssimo. A qualidade diminui gradativamente do começo para o fim, quanto mais larga é a circunferência, mais espaço existe para a agulha reproduzir, e no finalzinho a circunferência já é pequena, e ele (o disco) tem que enfiar toda aquela música naquele espaço. Daí a decisão da gravadora de cortar as músicas. Ou cortava ou cairia demais a qualidade. Ou então teria que colocar menos músicas.



A duração das faixas lançadas comercialmente(LP, CD, K7 ou streaming: todos com a mesma duração)


✂️Cortes parte 2: Falando em cortar, das 4 músicas teoricamente cortadas (Sullivan disse que eram 18, o disco tem 14), pelo menos duas nós sabemos o paradeiro: “A Música Não Pode Parar” e “Em Busca do Amor”. A primeira chegou a ser gravada por Xuxa, mas acabou descartada e foi lançada em 1991 no disco solo do ex-Paquito Alexandre, já a segunda virou uma espécie de música promocional da Dançalinha, calçado lançado pela Grendene em setembro de 1989.  A música foi editada num compacto que vinha de brinde para quem comprasse a sandalinha. Todas duas músicas são de autoria de Paulo Massadas e Michael Sullivan.




Em setembro de 1989, Xuxa atingiu a marca de 1000 exibições do programa Xou da Xuxa e para comemorar uma música, Mil Vezes Mil, foi composta. Embora fosse uma faixa feita especialmente para o programa especial, ela passou a integrar a set list da turnê a partir da exibição do programa.



🎼Num sorriso de criança encontrei a solução....
Toda vez que fazemos esses textos sobre os álbuns de Xuxa nos surpreendemos com o tanto de história que existe e que, para muita gente pode passar despercebida, pois é “só um disco da Xuxa” (como diriam essas pessoas).

Relendo as críticas do disco escritas por jornalistas como Maurício Kubrusly (Estado de São Paulo), Artur Xexeo, Chico Nelson ou João Máximo (Jornal do Brasil), vemos o quanto Xuxa, Sullivan e Massadas sofriam o preconceito da “elite”. “Disco ruim” – diz um, “Maria da Graça se esgoela em Milagre da Vida, chega a arranhar o ouvido” – reclama o outro, “Recado pra Xuxa é uma cabotina homenagem” – debocha um terceiro.

Nenhum foi capaz de ressaltar a vontade de que a luta contra as drogas (Alerta) fosse ouvida ou a inocência de uma fábula (Estrelinha, Dona Girafa), a importância de se cooperar com os outros (Conte Comigo), poder aprender brincando (PassatempoPrevisão do Tempo) ou simplesmente a intenção de fazer quem ouve feliz (Tindolelê, ). Nenhum! Nada!

Ah, mas eram adultos escrevendo” – alguém pode dizer. Esse texto que você está lendo também veio de um adulto... “Ah, mas é porque você lembra da sua infância e todo mundo gosta de sentir essa nostalgia” – pode alguém retrucar... Pode ser, mas preferimos acreditar que é porque nós sempre sorrimos ouvindo  cada música, antes ou hoje. E como diz a música, num sorriso de criança, ela encontrou a solução. E como ela nos fez/faz sorrir, por isso deu tão certo.



▶️Nosso agradecimento a Max Pierre, Paulo Sérgio Valle e César Costa Filho por nos ajudarem com suas lembranças e disponibilidade. E mais uma vez, nosso maior agradecimento a Paulo Massadas e Sandra que, sempre gentis, dedicam parte do seu tempo para nos ajudar a escrever a história daquilo que faz parte da NOSSA história. Muito obrigado!
Xuper Blog
Comentários
9 Comentários

9 comentários:

Ronaldo Miranda disse...

Remelexuxa é um hino muito injustiçado! Devia entrar no repertório das Turnês XuChá e Xuxa Xou. Não me conformo! Dona Girafa traz uma alusão bastante clara da guerra de audiência entre as maiores apresentadoras infantis da época: Dona Girafa (Xuxa), bonita e invejada, copiada pelas outras. Dona Onça (Angélica), a da Pinta e Dona Zebra (Mara Maravilha), a morena e menos famosa que a Angélica. Por isso, a Dona Onça recebe nota 9, a Dona Onça, nota 7 e, claro, a grande vencedora recebe nota 10 nesse desfile, a Dona Girafa poderosa! Também adoro a inteligência por trás da composição dessa música. Parabéns à Equipe Xuper Blog por mais esse Post maravilhoso. Beijos!

Unknown disse...

Mais uma vez arrasando nas histórias dos discos da Xu. Amei!! Parabéns!!!Ansioso para os 30 do Xuxa 5...

Philipe disse...

Parabéns. Ótimo texto.

Aisllan Soares disse...

Antes de tudo, Parabéns pelo post! muito bem escrito, bem detalhado foi mais uma viagem no tempo...

Em relação ao disco e as críticas da época; concordo que esse lp não foi uns dos melhores e Xuxa estava bastante despreparada para gravar esse álbum, essa é a impressão que tenho desse lp sabe! Os vocais dela nesse disco está bem desafinados e rouca! algumas músicas como "Previsão do tempo" e "Dinda ou Dindinha" é nessas faixas que notamos mais! Acho que as melhores musicas desse disco são "Milagre da Vida "(apesar de sua despreparação vocal)
"Passatempo" (apesar do erro em repetir até na versão integral o refrão) e "Tindolelê"(a mais alta e mais nitida e a preferida da rainha)

Desde já agradeço pelo post!!! E Todos os fãs agradesse!!!

Unknown disse...

Que interessante essas histórias!!! parabéns por este post,eu fiz parte dessa turma que esperava sair o LP e comprar.Nossa!!!! eu não queria saber se cantava bem ou mal no olhar de uma criança tudo era perfeito,existiam as críticas pois eles não se conformavam como uma pessoa que cantava mal poderia vender tanto??mas pra nós ou melhor pra mim era lindo ..... minha mãe comprava o dico no supermercado Carrefour,e qdo chegava em casa nossa ouvia lado A lado B que emoção lembrar de muitas coisas só nesse texto que vcs fizeram....e sempre que comprava queria olhar os nomes desses dois gênios M.Sullivan e P.Massadas e tinha TB os arranjos musicais da famosa banda do meu coração Roupa Nova...ahh qta lembrança boa... obrigada

Fabiano disse...

Lindo parabéns
Muito obrigado!
So um pequeno detalhe xuper blog
Tindolele não fez parte do cd Xuxa 20 anos.

Juniinho disse...

Mais um trabalho impecável, parabéns!! Não é meu disco preferido da Xuxa, mas de longe tem a capa mais linda de toda a discografia. Me hipnotiza de verdade! ♥

Unknown disse...

Excelente pesquisa...maravilha👏👏👏👏

Unknown disse...

Amei saber que Estrelinha era a música preferida da Xuxa que ficou de fora do Xou da Xuxa 3! Parabéns

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